I. AS ARTES LIBERAIS
1.
AS ARTES LIBERAIS
As artes liberais denotam os sete ramos do conhecimento que iniciam o jovem
numa vida de aprendizagem. O conceito é do período clássico, mas a expressão e
a divisão das artes em trivium e quadrivium datam da Idade Média.
a.
O TRIVIUM E O QUADRIVIUM
O trivium¹ inclui aqueles aspectos
das artes liberais pertinentes à mente, e o quadrivium, aqueles aspectos
das artes liberais pertinentes à matéria. Lógica, gramática e retórica
constituem o trivium; aritmética, música,
geometria e astronomia constituem o quadrivium.
A lógica é a arte de pensar; a gramática, a arte de inventar símbolos e
combiná-los para expressar pensamento; e a retórica, a arte de comunicar
pensamento de uma mente a outra, ou de adaptar a linguagem à circunstância. A aritmética,
ou teoria do número, e a música, uma aplicação da teoria do número (a medição
de quantidades discretas em movimento), são as artes da quantidade descontínua
ou número. A geometria, ou teoria do espaço, e a astronomia, uma aplicação da
teoria do espaço, são as artes da quantidade contínua ou extensão.
Essas artes da leitura,
da escrita e do cálculo formaram a base tradicional da educação liberal, cada
uma constituindo tanto um campo do conhecimento quanto a técnica para adquirir
esse conhecimento. O grau de bacharel em artes é conferido àqueles que
demonstram a proficiência requerida nessas artes; o grau de mestre em artes,
àqueles que demonstram uma proficiência maior que a requerida.
Hoje, como em séculos
passados, o domínio das artes liberais é amplamente reconhecido como a melhor
preparação para o estudo nas escolas de formação profissional, tais como as de
medicina, direito, engenharia ou teologia. Aqueles que primeiro aperfeiçoam
suas próprias faculdades através da educação liberal estão, deste modo, mais
bem preparados para servir aos outros em sua capacidade profissional.
As sete artes liberais
diferem essencialmente das muitas artes ou ofícios utilitários (tais como
carpintaria, alvenaria, vendas, impressão, edição, serviços bancários, direito,
medicina, ou o cuidado das almas) e das sete belas-artes (arquitetura, música
instrumental, escultura, pintura, literatura, teatro e dança), pois tanto as
artes utilitárias como as belas-artes são atividades transitivas, enquanto a
característica essencial das artes liberais é que elas são atividades imanentes
ou intransitivas.
O artista utilitário
produz utilidades que atendem às necessidades do homem; o artista de uma das
belas-artes, se for de superlativa categoria, produz uma obra que é “algo de
belo e uma alegria para sempre”² e que tem o poder de
elevar o espírito humano. No exercício tanto das artes utilitárias quanto das
belas-artes, ainda que a ação comece no agente, ela sai do agente e termina no
objeto produzido, tendo normalmente um valor comercial; portanto, o artista é
pago pelo trabalho ou obra. No exercício das artes liberais, todavia, a ação
começa no agente e termina no agente, que é aperfeiçoado pela ação; consequentemente,
o artista liberal, longe de ser pago por seu trabalho árduo — do qual, aliás, é
o único a receber todo o benefício —, com frequência paga a um professor para
que este lhe dê a instrução e o guiamento necessários na prática das artes
liberais.
ANALOGIA:
O caráter intransitivo das artes liberais
Sobre
o caráter intransitivo das artes liberais:
O
carpinteiro aplaina a madeira.
A rosa floresce.
A
ação de um verbo transitivo (como aplaina) começa no agente, mas “cruza”
e termina no objeto (a madeira). A ação de um verbo intransitivo (como floresce)
começa no agente e termina no agente (a rosa, que se aperfeiçoa por
florescer).
b. CLASSES DE BEM
As três classes de bens — valiosos, úteis e aprazíveis — ilustram o mesmo tipo
de distinção que existe entre as artes.
Bens valiosos
são aqueles que são desejados não apenas por sua própria causa, mas também
porque aumentam o valor intrínseco de quem os possuir. Por exemplo:
conhecimento, virtude e saúde são bens valiosos.
Bens úteis
são aqueles que são desejados porque permitem que alguém adquira bens valiosos.
Por exemplo: alimento, remédio, dinheiro, ferramentas e livros são bens úteis.
Bens aprazíveis
são aqueles que são desejados por si mesmos em função da satisfação que dão a
quem os possuir. Por exemplo: felicidade, uma reputação honrada, prestígio
social, flores e comida saborosa são bens aprazíveis. Eles nada acrescentam ao
valor intrínseco do possuidor nem são desejados como meios, ainda que possam
estar associados a bens valiosos ou úteis. Por exemplo, o conhecimento, que
acrescenta valor, pode ao mesmo tempo ser prazeroso; sorvete, que é um alimento
nutritivo e, portanto, promove a saúde, é, ao mesmo tempo, agradável.
As artes utilitárias, ou
servis, permitem que alguém seja um servidor — de outra pessoa, do Estado, de
uma corporação, de uma profissão — e que ganhe a vida. As artes liberais, em
contraste, ensinam a viver; treinam as faculdades e as aperfeiçoam; permitem a
uma pessoa elevar-se acima de seu ambiente material para viver uma vida
intelectual, uma vida racional e, portanto, uma vida livre para adquirir a
verdade. Jesus Cristo disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos
libertará” (João 8,32).
O novo lema do Saint
John’s College, em Annapolis, Maryland, expressa o propósito de uma escola de
artes liberais através de um interessante jogo com a etimologia da palavra
liberal: “Facio liberos ex liberis libris libraque”. “Transformo
crianças em homens livres por meio de livros e comparações” [experimentos em
laboratório].
c.
CIÊNCIA E ARTE
Cada uma das artes liberais é, a um só tempo, uma ciência e uma arte, no sentido
de que em cada campo há algo a conhecer (ciência) e algo a fazer (arte). Uma
arte pode ser empregada com sucesso antes que se tenha um conhecimento formal
de seus preceitos. Por exemplo: uma criança de três anos pode fazer uso de
gramática correta ainda que nada saiba de gramática formal. De maneira análoga,
a lógica e a retórica podem ser usadas eficazmente por quem não conheça os
preceitos teóricos dessas artes. Todavia, é desejável e satisfatório adquirir
um conhecimento claro dos preceitos e saber por que certas formas de expressão
ou de pensamento estão certas ou erradas.
O trivium é o órgão, ou instrumento, de toda educação em todos os níveis,
porque as artes da lógica, da gramática e da retórica são as artes da
comunicação mesma, uma vez que governam os meios de comunicar — a saber:
leitura, redação, fala e audição. O pensamento é inerente a essas quatro
atividades. A leitura e a audição, por exemplo, apesar de relativamente
passivas, envolvem pensamento ativo, pois concordamos ou discordamos daquilo
que lemos ou ouvimos.
O trivium é usado essencialmente quando exercitado na leitura e na composição.
Foi exercitado sistemática e intensivamente na leitura dos clássicos latinos e
na composição de prosa e versos latinos pelos garotos nas grammar schools
da Inglaterra e do continente europeu durante o século XVI. Este foi o
treinamento que formou os hábitos intelectuais de Shakespeare e de outros
autores da Renascença.³ O resultado de tal treinamento
transparece em suas obras.⁴ O trivium era básico também no currículo do período clássico, na
Idade Média e na pós-Renascença.
Na gramática grega de
Dionísio da Trácia (c. 166 a.C.), o mais antigo livro de gramática⁵ existente e a base para os
textos gramaticais durante pelo menos treze séculos, a gramática é definida de
uma maneira tão abrangente que inclui versificação, retórica e crítica
literária.
A
gramática é um conhecimento experimental dos modos de escrever nas formas geralmente
correntes entre poetas e prosadores de uma língua. Está dividida em seis partes:
(1) leitura instruída, com a devida atenção à prosódia [versificação]; (2) exposição,
de acordo com figuras poéticas [retórica]; (3) apresentação das peculiaridades
dialéticas e de alusões; (4) revelação das etimologias; (5) relato cuidadoso
das analogias; (6) crítica das obras poéticas, que é a parte mais nobre da arte
gramatical.
Uma vez que a comunicação
envolve o exercício simultâneo da lógica, da gramática e da retórica, estas
artes são as artes fundamentais da educação: ensinar e ser ensinado.
Consequentemente, devem ser praticadas simultaneamente pelo professor e pelo
aluno. O aluno deve cooperar com o professor; deve ser ativo e não passivo. O
professor pode estar presente direta ou indiretamente. Quando alguém estuda através
de um livro, o autor é um professor presente indiretamente. A comunicação, de
acordo com a etimologia da palavra, resulta em algo que é possuído em comum; é
uma unicidade compartilhada. A comunicação tem lugar somente quando duas mentes
realmente se encontram. Se o leitor — ou o ouvinte — recebe as mesmas ideias
que o escritor — ou o emissor — desejava transmitir, ele as entende (ainda que delas
possa discordar); se não recebe ideia alguma, nada entende; se recebe ideias
diferentes, entende mal. Os mesmos princípios da lógica, da gramática e da
retórica guiam o escritor, o leitor, o emissor e o ouvinte.
d.
A EDUCAÇÃO LIBERAL
A educação é a mais nobre das artes no sentido de que impõe formas (ideias e
ideais) não sobre a matéria, como fazem outras artes (por exemplo, a
carpintaria e a escultura), mas sobre a mente. Essas formas não são recebidas
passivamente pelo estudante, mas sim através da cooperação ativa. Na verdadeira
educação liberal, e segundo Newman,⁶ a atividade essencial do
estudante é relacionar os fatos aprendidos num todo unificado e orgânico,
assimilando-os tal como um corpo assimila alimento, ou, ainda, como a rosa
assimila nutrientes do solo e daí cresce em tamanho, vitalidade e beleza. Um
aprendiz deve usar algo como colchetes mentais, com os quais ligue os fatos
entre si de modo a formar um todo significativo. Isso torna o aprendizado mais
fácil, mais interessante e muito mais valioso. O acúmulo de fatos é mera
informação e não merece ser chamado educação, pois sobrecarrega a mente e a estultifica,
em vez de desenvolvê-la, iluminá-la e aperfeiçoá-la. Mesmo quando alguém
esquece muitos dos fatos que uma vez aprendeu e relacionou, a sua mente retém o
vigor e o aperfeiçoamento que obteve ao neles se exercitar. Porém a mente faz isso
somente porque lida com fatos e ideias. Ademais, é muito mais fácil lembrar
ideias associadas do que ideias sem conexão.
Cada uma das artes
liberais veio a ser entendida não no sentido restrito de uma disciplina em
separado, mas mais propriamente no sentido de um grupo de disciplinas
relacionadas. O trivium, em si mesmo uma
ferramenta ou uma habilidade, ficou associado às suas matérias de estudo mais
apropriadas — línguas, oratória, literatura, história e filosofia. O quadrivium compreende não apenas a
matemática, mas muitos ramos da ciência. A teoria do número inclui não apenas a
aritmética, mas também álgebra, cálculo, teoria das equações e outros ramos da
matemática superior. As aplicações da teoria do número incluem não só a música (aqui
entendida como princípios musicais, tais como a harmonia, que constituem a arte
liberal da música, a qual deve ser distinguida da música instrumental aplicada,
que é uma das belas-artes), mas também a física, muito da química e de outras
formas de medição científica de quantidades descontínuas. A teoria do espaço
inclui geometria analítica e trigonometria. As aplicações da teoria do espaço
incluem princípios da arquitetura, da geografia, da agrimensura e da
engenharia.
Ler, escrever e contar
constituem o cerne não apenas da educação elementar, mas também da educação
superior. A competência no uso da linguagem e a competência em lidar com
abstrações, particularmente as quantidades matemáticas, são consideradas como
os mais confiáveis índices do calibre intelectual de um estudante.
Consequentemente, criaram-se testes para medir essas competências, de modo que programas
de orientação educacional e vocacional em instituições de ensino superior e nas
forças armadas se baseiam nos resultados de tais testes.
As três artes da linguagem proveem disciplina à mente, uma vez que esta encontra expressão na linguagem. As quatro artes da quantidade proveem meios para o estudo da matéria — mais precisamente, extensão —, visto que essa é a característica notável da matéria. (A extensão é uma característica apenas da matéria, enquanto o número é característica tanto da matéria quanto do espírito). A função do trivium é treinar a mente para o estudo da matéria e do espírito, que juntos constituem a substância da realidade. O fruto da educação é a cultura, que Matthew Arnold⁷ definiu como “O conhecimento de nós mesmos [mente] e do mundo [matéria]”. Na “doçura e iluminação” da cultura cristã, que acrescenta a inteligência de Deus e a de outros espíritos ao conhecimento do mundo e de nós mesmos, tornamo-nos verdadeiramente aptos a “Ver a vida resolutamente; a vê-la por inteiro”.⁸
a.
AS ARTES DA LINGUAGEM E A REALIDADE
As três artes da linguagem podem ser definidas conforme se relacionam com a realidade
e entre si. A metafísica ou ontologia,⁹ a ciência do ser, trata da
realidade, da coisa tal como ela existe. A lógica, a gramática e a retórica têm
as seguintes relações com a realidade.
ESQUEMA
A lógica trata da coisa tal como ela é conhecida.
A gramática trata da coisa tal como ela é simbolizada.
A retórica trata da coisa tal como ela é comunicada.
ILUSTRAÇÃO: Relação
entre a metafísica e as artes da linguagem
A
descoberta do planeta Plutão, em 1930, ilustra a relação entre a metafísica e
as artes da linguagem. O planeta Plutão já era uma entidade real, percorrendo a
sua órbita em torno do Sol havia muitos e muitos milênios, por nós desconhecido
e, portanto, sem nome. A sua descoberta em 1930 não o criou; porém, ao ser
descoberto, tornou-se uma entidade lógica. Quando lhe foi dado o nome Plutão, tornou-se
uma entidade gramatical. Quando, por seu nome, o conhecimento dessa entidade
foi comunicado a outros através da palavra falada e escrita, o planeta Plutão
tornou-se então uma entidade retórica.¹⁰
A retórica é a arte
mestra do trivium,¹¹ pois pressupõe e faz uso
da gramática e da lógica; é a arte de comunicar através de símbolos as ideias relativas
à realidade.
b.
COMPARAÇÃO DE MATERIAIS, FUNÇÕES E NORMAS DAS ARTES DA LINGUAGEM
As artes da linguagem conduzem o orador, o escritor, o ouvinte e o leitor ao
uso correto e eficaz da linguagem. A fonética e a ortografia, que estão
associadas à arte da gramática, são aqui incluídas para demonstrar sua relação
com as outras artes da linguagem no que concerne a materiais, funções e normas.
ESQUEMA
Fonética: prescreve como combinar sons de modo a formar corretamente as
palavras faladas.
Ortografia: prescreve como combinar letras de modo a formar corretamente
as palavras escritas.
Gramática: prescreve como combinar palavras de modo a formar corretamente
as frases.
Retórica: prescreve como combinar frases em parágrafos e estes numa
composição completa, que apresente unidade, coerência e a ênfase desejada, bem
como clareza, vigor e beleza.
Lógica: prescreve como combinar conceitos em juízos e estes em
silogismos e cadeias de raciocínio de modo a obter a verdade.
Uma vez que a retórica
almeja mais a eficácia do que a correção, lida não apenas com o parágrafo e com
a composição completa, mas também com a palavra e a frase, pois prescreve que a
dicção seja clara e apropriada; que as frases sejam variadas na estrutura e no
ritmo. A retórica reconhece vários níveis de discurso, tais como o letrado ou literário
(donzela, corcel), o comum (moça, cavalo), o iletrado (muié, cavá’l), [35] o da
gíria ou o regionalismo (rapariga, pangaré) e o técnico (Homo sapiens,
Equus caballus), cada um com o seu uso apropriado.
A adaptação da linguagem
às circunstâncias, que é a função mesma da retórica, requer a escolha de certo
estilo e dicção própria quando alguém fala a adultos, de outro estilo ao
apresentar ideias científicas ao público em geral e de outro ainda quando essas
ideias são apresentadas a um grupo de cientistas. Visto que a retórica é a arte
mestra do trivium, pode até mesmo
dar-se ao luxo de usar gramática ou lógica incorretas para efeito de
caracterização de um personagem iletrado ou estúpido em uma narrativa qualquer.
Tanto quanto a retórica é
a arte mestra do trivium, a lógica é
a arte das artes porque dirige o ato mesmo de raciocinar, o qual dirige todos
os outros atos humanos ao seu fim apropriado através dos meios que determina.
No
prefácio à sua Art of Logic, o poeta Milton observa:
O assunto geral das artes gerais é tanto a razão quanto a palavra. Elas são empregadas no aperfeiçoamento do raciocínio em benefício do bem pensar — como na lógica —, no aperfeiçoamento do modo de falar, em benefício do uso correto das palavras — como na gramática —, ou no uso eficaz das palavras — como na retórica. De todas as artes, a primeira e mais geral é a lógica, seguida da gramática e, por último, da retórica, uma vez que pode haver muito uso da razão sem o falar, mas nenhum uso da palavra sem a razão. Demos o segundo lugar à gramática porque o uso correto da palavra pode ser feito sem adornos; mas dificilmente será possível adorná-lo antes que esteja correto.¹²
Considerando que as artes
da linguagem são normativas, elas são estudos práticos quando em contraste com
os teóricos. Um estudo teórico é aquele que busca apenas conhecer — a
astronomia, por exemplo. Nós podemos apenas saber algo a respeito dos corpos
celestes.
Não podemos influenciar
seus movimentos. Um estudo prático, normativo, é aquele que busca regular,
ajustar segundo uma norma ou padrão — a ética, por exemplo. A norma da ética é
o bem, e seu propósito é ajustar a conduta humana em conformidade com a
bondade.
ESQUEMA
A
correção é a norma da fonética, da ortografia e da gramática.
A eficácia é a norma da retórica.
A verdade é a norma (ou meta) da lógica. O pensar corretamente é
o meio normal de chegar à verdade, que é a conformidade do pensamento com as
coisas tais como são — com a realidade.
O próprio intelecto, no que tange às suas operações, é aperfeiçoado pelas cinco virtudes intelectuais, três teóricas e duas práticas. A compreensão é o captar intuitivo dos princípios primeiros. (Por exemplo, em declarações contraditórias, uma deve ser verdadeira e a outra falsa.) A ciência é o conhecimento das causas mais prováveis (física, matemática, economia, etc.). A sabedoria é o conhecimento das causas fundamentais — a metafísica na ordem natural, a teologia na ordem supernatural. A prudência é o raciocínio reto concernente às ações.¹³ A arte é o raciocínio reto concernente à produção.¹⁴
¹Trivium significa o cruzamento e a articulação de três ramos ou caminhos e tem a conotação de um “cruzamento de estradas” acessível a todos (Catholic Encyclopedia, vol. 1, s.v., “The seven liberal arts”). Quadrivium significa o cruzamento de quatro ramos ou caminhos.
²“A thing of beauty and a joy forever” —
Adaptado de “Endymion”, de John Keats (1795-1821): “A thing of beauty is a joy
forever: / Its loveliness increases: it will never / Pass into nothingness”.
³Marshall McLuhan trata do assunto,
com ênfase em Thomas Nashe (1567-1601), na obra O Trivium Clássico. Trad. Hugo
Langone. São Paulo, É Realizações, 2012. (N. E.)
⁴Ver T. W. Baldwin, William Shakespeare’s
Small Latine and Lesse Greek. Urbana, The University of Illinois Press,
1944. A expressão “small Latine and lesse Greek” vem do poema de Ben
Jonson “To the Memory of My Beloved, The Author, Mr. William Shakespeare”. Ben Jonson (1572-1637) era colega e
amigo de Shakespeare.
⁵Elementos do esboço de gramática
de Dionísio da Trácia ainda são componentes básicos num currículo de artes da
linguagem: figuras de linguagem, uso da alusão, etimologia, analogias e análise
literária.
⁶John Henry Newman (1801-1890), autor de The Idea of a University Defined
e Apologia pro Vita Sua.
⁷Matthew Arnold (1822-1888), poeta,
ensaísta e crítico inglês. A expressão “sweetness and light” [doçura e
iluminação] vem do seu ensaio “Culture and Anarchy”.
⁸Matthew Arnold, “To a Friend”.
⁹A Metafísica de Aristóteles deu sequência à sua obra em física. Em grego
clássico, meta significa “depois” ou “além”. Na Metafísica, Aristóteles definiu
os princípios primeiros no entendimento da realidade. A ontologia é um ramo da
metafísica e trata da natureza do ser.
¹⁰A realidade do planeta Plutão,
soubesse alguém ou não de sua existência, pertence ao reino da metafísica. É a
descoberta humana que dele foi feita que o traz para o reino da lógica, da
gramática e da retórica.
¹¹Chamar a retórica de “a arte
mestra do trivium” é um lembrete quanto à ambivalência associada ao
termo. Durante as pesquisas para a terceira edição do American Heritage
Dictionary, os editores indagaram de especialistas no vernáculo se a
sentença retórica vazia era redundante. Um terço dos especialistas disse que
sim, enquanto a maioria ainda aceitava o sentido tradicional do termo. Em sua
obra sobre a retórica, Aristóteles dá esta definição: “A retórica pode ser
definida como a faculdade de, em qualquer situação, perceber os meios de
persuasão disponíveis” (1.2). Todavia, mesmo na sua Retórica,
Aristóteles é obrigado a justificar o seu uso. Ele argumenta que o uso de algo
bom para um fim mau não nega a boa qualidade da coisa mesma. “E, se é possível
objetar que alguém que faça mau uso de tal poder da palavra pode causar grande
dano, então esta é uma acusação que poderia ser feita também contra todas as
coisas excelentes, exceto a virtude, e, acima de tudo, contra as coisas mais
úteis, tais como a força de vontade, a saúde, a riqueza e a capacidade de
comando” (1.1) (Aristóteles, The Rhetoric and the Poetics of Aristotle. Trad.
W. Rhys [Rhetoric] e Ingram Bywater [Poetics]. Nova York, The
Modern Library, 1984).
¹²John
Milton, Artis Logicae. Trad. Allan H. Gilbert. The Works of John
Milton. Nova York,
Columbia University Press, 1935, v. 2, p. 17.
¹³Aristóteles diz: “A ação [práxis]
é diferente da produção [poíesis]. A arte é uma capacidade de produzir
com raciocínio reto. É produção e não ação. A carência de arte é uma disposição
acompanhada de falso raciocínio.” In: Ética a Nicômaco, 1140a.
¹⁴O Trivium oferece uma precisão no modo de
pensar que frequentemente se reflete no uso de categorias. Neste aspecto, a
irmã Miriam Joseph segue Aristóteles, cujos escritos dão forma a O Trivium. Categorias é uma das obras
de Aristóteles que apresentam a sua teoria da lógica.