Catecismo da Doutrina Cristã de S.S. São Pio X (1912)

PRIMEIRAS ORAÇÕES E FÓRMULAS DE COR

1. SINAL DA CRUZ
In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. Amen.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

2. CREDO ou Símbolo dos Apóstolos
Credo in Deum Patrem omnipotentem, Creatorem caeli et terrae. Et...
Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra; e em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor, o qual foi concebido do Espírito Santo; nasceu de Maria Virgem, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu aos infernos; ao terceiro dia ressurgiu dos mortos; subiu aos Céus, está sentado à mão direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na Comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressureição da carne, na vida eterna. Amém.

3. PATER NOSTER ou Oração Dominical
Pater noster qui es in caelis...
Pai nosso que estais nos Céus, santificado seja o Vosso nome; venha a nós o Vosso reino; seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

4. GLORIA PATRI
Gloria Patri et Filio et Spiritu Sancto...
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.

5. AVE MARIA
Ave, Maria, gratia plena; Dominus tecum...
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do Vosso ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

6. SALVE REGINA
Salve, Regina, mater misericordiae...
Salve Rainha, Mãe de misericórdia; vida, doçura e esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

7. ANGELE DEI
Angele Dei, qui custos es mei...
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.

8. REQUIEM AETERNAM pelos fiéis defuntos
Requiem aeternam dona eis, Domine...
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno. E a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém.

9. ATO DE FÉ
Meu Deus, creio firmemente em tudo o que Vós, infalível Verdade, revelou e a Santa Igreja nos propõe a crer. E expressamente creio em Vós, único e verdadeiro Deus em três Pessoas iguais e distintas, Pai, Filho e Espírito Santo; e no Filho encarnado e morto por nós, Jesus Cristo, que dará a cada um, segundo seus merecimentos, o prêmio ou a pena eterna. Em conformidade com essa Fé quero sempre viver. Senhor, aumentai a minha fé.

10. ATO DE ESPERANÇA
Meu Deus, espero da Vossa bondade, pelas Vossas promessas e pelos méritos de Jesus Cristo, Nosso Salvador, a vida eterna e a graça necessária para merecê-la com as boas obras, que devo e quero fazer. Senhor, que eu não seja confundido eternamente.

11. ATO DE CARIDADE
Meu Deus, amo-Vos, Bem infinito e Nossa eterna felicidade, de todo o coração e sobre todas as coisas; e, por amor a Vós, amo meu próximo como a mim mesmo, e perdoo as ofensas recebidas. Senhor, fazei que eu Vos ame sempre mais.

12. ATO DE ARREPENDIMENTO
Meu Deus, arrependo-me de todo o coração de meus pecados, e os odeio e detesto, como ofensa à Vossa Majestade infinita, causa da morte de Vosso divino Filho Jesus, e minha ruína espiritual. Não quero mais cometê-los no futuro e proponho-me a fugir das ocasiões de pecado. Senhor, misericórdia, perdoai-me!

13. OS DOIS PRINCIPAIS MISTÉRIOS DA FÉ
1) Unidade e Trindade de Deus;
2) Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

14. OS DOIS MANDAMENTOS DA CARIDADE
1) Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração com toda a tua alma e com toda a tua mente.
2) Amarás o próximo como a ti mesmo.

15. OS DEZ MANDAMENTOS DE DEUS ou Decálogo
Eu sou o Senhor teu Deus.
1º Não terás outro Deus além de Mim.
2º Não nomear o nome de Deus em vão.
3º Lembra-te de santificar as festas.
4º Honrar o pai e a mãe.
5º Não matar.
6º Não cometer atos impuros.
7º Não roubar.
8º Não dizer falso testemunho.
9º Não desejar a mulher do próximo.
10º Não desejar as coisas alheias.

16. OS CINCO PRECEITOS GERAIS DA IGREJA
1º Ouvir a Missa no Domingo e outras festas indicadas.
2º Não comer carne na sexta-feira e nos outros dias proibidos, e jejuar nos dias prescritos.
3º Confessar-se ao menos uma vez no ano, e comungar ao menos pela Páscoa.
4º Socorrer às necessidades da Igreja contribuindo segundo as normas ou os costumes.
5º Não celebrar solenemente as núpcias nos tempos proibidos.

17. OS SETE SACRAMENTOS
1) Batismo, 2) Crisma, 3) Eucaristia, 4) Penitência, 5) Extrema-Unção, 6) Ordem e 7) Matrimônio.

18. OS SETE DONS DO ESPÍRITO SANTO
1) Sabedoria, 2) Entendimento, 3) Conselho, 4) Fortaleza, 5) Ciência, 6) Piedade e 7) Temor de Deus.

19. AS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS
1) Fé, 2) Esperança e 3) Caridade.

20. AS QUATRO VIRTUDES CARDEAIS
1) Prudência, 2) Justiça, 3) Fortaleza e 4) Temperança.

21. AS SETE OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS
1) Dar de comer a quem tem fome; 2) dar de beber a quem tem sede; 3) vestir os nus; 4) dar pousada aos peregrinos; 5) visitar os enfermos; 6) visitar os encarcerados; 7) enterrar os mortos.

22. AS SETE OBRAS DE MISERICÓRDIA ESPIRITUAIS
1) Dar bom conselho; 2) ensinar os ignorantes; 3) castigar os que erram; 4) consolar os aflitos; 5) perdoar as injúrias; 6) sofrer com paciência as fraquezas do próximo; 7) rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

23. OS SETE VÍCIOS CAPITAIS
1) Soberba, 2) Avareza, 3) Luxúria, 4) Ira, 5) Gula

24. OS SEIS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO
1) Desespero da salvação; 2) presunção de salvar-se sem mérito; 3) repelir a verdade conhecida; 4) inveja da graça dos outros; 5) obstinação nos pecados; 6) impenitência final.

25. OS QUATRO PECADOS QUE CLAMAM VINGANÇA DIANTE DE DEUS
1) Homicídio voluntário; 2) pecado impuro contra a natureza; 3) opressão dos pobres; 4) defraudar o salário dos operários.

26. OS QUATRO NOVÍSSIMOS
1) Morte, 2) Juízo, 3) Inferno, 4) Paraíso.

PRIMEIRAS NOÇÕES DA FÉ CRISTÃ

1. Quem nos criou?
Deus nos criou.

2. Quem é Deus?
Deus é o Ser perfeitíssimo, Criador e Senhor do Céu e da Terra.

3. O que significa "perfeitíssimo"?
Perfeitíssimo significa que há em Deus toda a perfeição, sem defeito e sem limite, ou seja, que Ele é poder, sabedoria e bondade infinitos.

4. O que significa "Criador"?
Criador significa que Deus fez todas as coisas do nada.

5. O que significa "Senhor"?
Senhor significa que Deus é dono absoluto de todas as coisas.

6. Deus tem corpo como nós?
Deus não tem corpo, mas é puríssimo espírito.

7. Onde Deus está?
Deus está no Céu, na Terra e em todo lugar: Ele é o Imenso.

8. Deus sempre existiu?
Deus sempre existiu e sempre existirá: Ele é o Eterno.

9. Deus sabe tudo?
Deus sabe tudo, inclusive nossos pensamentos: Ele é o Onisciente.

10. Deus pode fazer tudo?
Deus pode fazer tudo o que quer: Ele é o Onipotente.

11. Deus pode fazer inclusive o mal?
Deus não pode fazer o mal porque, sendo bondade infinita, não o pode querer; porém o tolera para deixar livres as criaturas, sabendo depois tirar o bem inclusive do mal.

12. Deus tem cuidado das coisas criadas?
Deus tem cuidado e providência das coisas criadas, e as conserva e dirige todas ao fim próprio com sabedoria, bondade e justiça infinitas.

13. Para que fim Deus nos criou?
Deus nos criou para conhecê-lO, amá-lO e servi-lO nesta vida, e para fruí-lO depois na outra, no Paraíso.

14. O que é o Paraíso?
O Paraíso é a fruição eterna de Deus, nossa felicidade, e n'Ele, de todo outro bem, sem nenhum mal.

15. Quem merece o Paraíso?
Merece o Paraíso quem é bom, ou seja, quem ama e serve fielmente a Deus e morre em Sua graça.

16. O que merecem os maus que não servem a Deus e morrem em pecado mortal?
Os maus que não servem a Deus e morrem em pecado mortal merecem o Inferno.

17. O que é o Inferno?
O Inferno é o padecimento eterno da privação de Deus, nossa felicidade, e do fogo, com todo outro mal, sem nenhum bem.

18. Por que Deus premia os bons e castiga os maus?
Deus premia os bons e castiga os maus porque Ele é a justiça infinita.

19. Existe um único Deus?
Existe um único Deus, mas em três Pessoas iguais e distintas, que são a Santíssima Trindade.

20. Como se chamam as três Pessoas da Santíssima Trindade?
As três Pessoas da Santíssima Trindade chama-se Pai, Filho e Espírito Santo.

21. Das três Pessoas da Santíssima Trindade, alguma se encarnou e se fez homem?
Das três Pessoas da Santíssima Trindade, encarnou-se e fez-se homem a Segunda, isto é, o Filho.

22. Como se chama o Filho de Deus feito homem?
O Filho de Deus feito homem chama-se Jesus Cristo.

23. Quem é Jesus Cristo?
Jesus Cristo é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, isto é, o Filho de Deus feito homem.

24. Jesus Cristo é Deus e homem?
Sim, Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

25. Por que o Filho de Deus fez-se homem?
O Filho de Deus fez-se homem para salvar-nos, isto é, redimir-nos do pecado e readquirir-nos o Paraíso.

26. O que Jesus Cristo fez para salvar-nos?
Jesus Cristo para salvar-nos satisfez pelos nossos pecados padecendo, sacrificando-Se a Si mesmo sobre a Cruz, e nos ensinou a viver em conformidade com Deus.

27. Para vivermos em conformidade com Deus, o que devemos fazer?
Para vivermos em conformidade com Deus, devemos CRER NAS VERDADES REVELADAS por Ele e OBSERVAR SEUS MANDAMENTOS, com o auxílio de sua graça, que se obtém
mediante OS SACRAMENTOS e A ORAÇÃO.

PARTE 1
Cap. 1 - Principais verdades da fé cristã

28. Quais são as verdades reveladas por Deus?
As verdades reveladas por Deus são principalmente as compendiadas no Credo ou Símbolo dos Apóstolos, e se chamam verdades de Fé porque devemos crer nelas com plena Fé como ensinadas por Deus, que não se engana nem pode enganar.

29. O que é o "Credo" ou "Símbolo dos Apóstolos"?
O Credo ou Símbolo dos Apóstolos é uma profissão dos principais mistérios e outras verdades reveladas por Deus, por meio de Jesus Cristo e dos Apóstolos, e ensinados pela Igreja.

30. O que é mistério?
Mistério é uma verdade superior mas não contrário à razão que cremos porque Deus a revelou.

31. Quais sãos os principais mistérios da Fé professados no Credo?
Os principais mistérios da Fé professados no Credo são dois:
Unidade e Trindade de Deus; Encarnação, Paixão e Morte de
Nosso Senhor Jesus Cristo.

32. Professamos e expressamos também de outra maneira os
dois principais mistérios da Fé?
Professamos e expressamos os dois principais mistérios da Fé
também com o Sinal da Cruz, que por isso é o sinal do cristão.

33. Como se faz o Sinal da Cruz?
O Sinal da Cruz se faz levando a mão direita à testa, dizendo: Em
Nome do Pai; depois ao peito, dizendo: e do Filho; em seguida ao
ombro esquerdo e ao ombro direito, dizendo: e do Espírito Santo; e
termina-se com a palavra Amém.

34. No Sinal da Cruz, como expressamos os dois principais
mistérios da Fé?
No Sinal da Cruz, expressamos com as palavras a Unidade e
Trindade de Deus e, com a figura da Cruz, a Paixão e Morte de
Nosso Senhor Jesus Cristo.

35. É útil fazer o Sinal da Cruz?
É utilíssimo fazer o Sinal da Cruz muitas vezes e devotamente,
pois é ato externo de Fé que reaviva em nós essa virtude, vence o
respeito humano e as tentações, e obtém-nos a graça de Deus.

36. Quando é bom fazer o Sinal da Cruz?
É sempre bom fazer o Sinal da Cruz, mas especialmente antes e
depois de cada ato de religião, antes e depois das refeições e de
dormir, e nos perigos da alma e do corpo.

Cap. 2 - Unidade e Trindade de Deus

37. O que significa "Unidade de Deus"?
Unidade de Deus significa que existe um único Deus.

38. O que significa "Trindade de Deus"?
Trindade de Deus significa que em Deus existe três Pessoas iguais
e realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

39. O que significa "três Pessoas realmente distintas"?
Três Pessoas realmente distintas significa que em Deus uma
Pessoa não é a outra, apesar de todas três serem um único Deus.

40. Nós compreendemos como as três Pessoas divinas, embora
realmente distintas, são um único Deus?
Nós não compreendemos nem podemos compreender como as três
Pessoas divinas, embora realmente distintas, são um único Deus: é
um mistério.

41. Qual é a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade?
A Primeira Pessoa da Santíssima Trindade é o Pai.

42. Qual é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade?
A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade é o Filho.

43. Qual é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade?
A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade é o Espírito Santo.

44. Por que o Pai é a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade?
O Pai é a Primeira Pessoa da Santíssima Trindade porque não
procede de outra Pessoa e dele procedem às outras duas, isto é, o
Filho e o Espírito Santo.

45. Por que o Filho é a Segunda Pessoa da Santíssima
Trindade?
O Filho é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade porque é
gerado pelo Pai e é, conjuntamente com o Pai, princípio do
Espírito Santo.

46. Por que o Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima
Trindade?
O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade
porque procede do Pai e do Filho.

47. Cada Pessoa da Santíssima Trindade é Deus?
Sim, cada Pessoa da Santíssima Trindade é Deus.

48. Se cada Pessoa divina é Deus, as três Pessoas divinas são,
portanto, três deuses?
As três Pessoas divinas não são três deuses, mas um único Deus;
porque têm a mesma única natureza ou substância divina.

49. As três Pessoas divinas são iguais, ou há uma maior, mais
poderosa e mais sábia?
Sendo um único Deus, as três Pessoas divinas são iguais em tudo e
têm igualmente em comum toda perfeição e toda operação; se bem
que certas perfeições e as obras correspondentes atribuem-se mais
a uma Pessoa que à outra, como o poder e a criação, ao Pai.

50. O Pai ao menos existiu antes do Filho e do Espírito Santo?
O Pai não existiu antes do Filho e do Espírito Santo porque as três
Pessoas divinas, tendo em comum a única natureza divina, que é
eterna, são igualmente eternas.

Cap. 3 - Criação do mundo; Origem e queda do homem

51. Por que Deus é chamado "Criador do Céu e da Terra"?
Deus é chamado Criador do Céu e da Terra, ou seja, do Mundo,
porque o fez do nada, e fazer do nada é criar.

52. O Mundo todo é obra de Deus?
O Mundo todo é obra de Deus; e, na sua grandeza, beleza e ordem
maravilhosas, mostra-nos o poder, a sabedoria e a bondade
infinitos dele.

53. Deus criou somente o que é material no Mundo?
Deus não criou somente o que é material no Mundo, mas também
os puros espíritos; e cria a alma de cada homem.

54. Quem são os puros espíritos?
Os puros espíritos são seres inteligentes sem corpo.

55. Como sabemos que existem puros espíritos criados?
É pela Fé que sabemos que existem puros espíritos criados.

56. Quais puros espíritos criados a Fé nos fazer conhecer?
A Fé nos faz conhecer os puros espíritos bons, ou seja, os Anjos, e
os maus, ou seja, os demônios.

57. Quem são os Anjos?
Os Anjos são os ministros invisíveis de Deus e também nossos
Guardiões, tendo Deus confiado cada homem a um deles.

58. Temos deveres para com os Anjos?
Para com os Anjos temos o dever de veneração; e para com o Anjo
da Guarda temos também o de ser gratos, de escutar-lhe as
inspirações e de não ofender-lhe nunca a presença com o pecado.

59. Quem são os demônios?
Os demônios são anjos rebelados contra Deus por soberba e
precipitados no inferno que, por ódio a Deus, tentam o homem ao
mal.

60. Quem é o homem?
O homem é um ser racional, composto de alma e corpo.

61. O que é a alma?
A alma é a parte espiritual do homem, pela qual ele vive, entende e
é livre, e por isso capaz de conhecer, amar e cuidar servir a Deus.

62. A alma do homem morre com o corpo?
A alma do homem não morre com o corpo, mas, sendo espiritual,
vive eternamente.

63. Que cuidado devemos ter com a alma?
Devemos ter o máximo cuidado com a alma porque ela é em nós a
parte melhor e imortal, e só salvando a alma seremos eternamente
felizes.

64. Como o homem é livre?
O homem é livre, visto que pode fazer uma coisa e não fazê-la, ou
fazer antes esta àquela outra, como bem sentimos em nós mesmos.

65. Se é livre, o homem pode também fazer o mal?
O homem pode, ou seja, é capaz também de fazer o mal; porém
não o deve fazer justamente porque é mal; deve-se usar a
liberdade só para o bem.

66. Quem foram os primeiros homens?
Os primeiros homens foram Adão e Eva, criados imediatamente
por Deus; todos os outros descendem deles, que por isso são
chamados os progenitores dos homens.

67. O homem foi criado fraco e miserável como agora somos?
O homem não foi criado fraco nem miserável como agora somos,
mas num feliz estado, com destino e dons superiores à natureza
humana.

68. Que destino o homem recebeu de Deus?
O homem recebeu de Deus o altíssimo destino de ver e fruir
eternamente Ele, Bem infinito; e porque isso é de todo superior à
capacidade da natureza, recebeu ao mesmo tempo, para
alcançá-lo, um poder sobrenatural que se chama graça.

69. O que mais além da graça Deus havia dado ao homem?
Além da graça, Deus havia dado ao homem a isenção das
fraquezas e misérias da vida e da necessidade de morrer, contanto
que não pecasse, como infelizmente fez Adão, cabeça da
humanidade, provando do fruto proibido.

70. Qual foi o pecado de Adão?
O pecado de Adão foi um grave pecado de soberba e desobediência.

71. Quais danos causou o pecado de Adão?
O pecado de Adão despojou-o a ele e a todos os homens da graça e
de todo outro dom de sobrenatural, tornando-os sujeitos ao
pecado, ao demônio, à morte, à ignorância, às más inclinações e a
toda outra miséria, e excluindo-os do Paraíso.

72. Como se chama o pecado ao qual sujeitou Adão os homens
com sua culpa?
O pecado ao qual sujeitou Adão os homens com sua culpa
chama-se original porque, cometido no princípio da humanidade,
se transmite com a natureza aos homens todos na sua origem.

73. Em que consiste o pecado original?
O pecado original consiste na privação da graça original que por
disposição de Deus deveríamos ter, mas não temos porque a
cabeça da humanidade, com sua desobediência, dela privou-se a si
e a nós todos, seus descendentes.

74. Como o pecado original é "voluntário" e, portanto, culpável
para nós?
O pecado original é voluntário e, portanto, culpável para nós só
porque voluntariamente cometeu-o Adão como cabeça da
humanidade; e por isso Deus não o pune, mas simplesmente não
premia com o Paraíso que tenha só o pecado original.

75. Por causa do pecado original, o homem deveria permanecer
excluído para sempre do Paraíso?
Por causa do pecado original, o homem deveria permanecer
excluído para sempre do Paraíso, se Deus para salvá-lo não
houvesse prometido e mandado do Céu Seu próprio Filho, isto é,
Jesus Cristo.

Cap. 4 - Encarnação, Paixão e Morte do Filho de Deus

76. De que modo o Filho de Deus fez-se homem?
O Filho de Deus fez-se homem, assumindo corpo e alma assim
como nós, no seio puríssimo de Maria Virgem por obra do Espírito
Santo.

77. Fazendo-se homem, o Filho de Deus deixou de ser Deus?
Fazendo-se homem, o Filho de Deus não deixou de ser Deus, mas,
permanecendo verdadeiro Deus, começou a ser também
verdadeiro homem.

78. Em Jesus Cristo existem duas naturezas?
Em Jesus Cristo existem duas naturezas: a natureza divina e a
natureza humana.

79. Em Jesus Cristo, com as duas naturezas, existem também
duas Pessoas?
Em Jesus Cristo, com as duas naturezas, não existem duas Pessoas,
mas uma única: a divina do Filho de Deus.

80. Como se soube que Jesus Cristo é o Filho de Deus?
Soube-se que Jesus Cristo é o Filho de Deus porque assim o
proclamou Deus Pai no Batismo e na Transfiguração, dizendo:
"Este é o Meu Filho amado, no qual pus as Minhas complacências"
(São Mateus lII. 17; São Lucas IX. 35); e porque assim o próprio
Jesus o declarou em Sua Vida terrena.

81. Jesus Cristo sempre existiu?
Jesus Cristo sempre existiu como Deus; como homem começou a
existir no momento da Encarnação.

82. De quem nasceu Jesus Cristo?
Jesus Cristo nasceu de Maria sempre Virgem, que por isso se
chama e é verdadeiramente Mãe de Deus.

83. São José não foi pai de Jesus Cristo?
São José não foi verdadeiramente pai de Jesus Cristo, mas pai
putativo, isto é, como esposo de Maria e guardião dele foi reputado
Seu pai sem sê-lo.

84. Onde nasceu Jesus Cristo?
Jesus Cristo nasceu em Belém, em um estábulo, e foi posto em uma
manjedoura.

85. Por que Jesus Cristo quis ser pobre?
Jesus Cristo quis ser pobre para ensinar-nos a ser humildes e a
não pôr a felicidade nas riquezas, nas honras e nos prazeres do
mundo.

86. O que fez Jesus Cristo na Sua vida terrena?
Jesus Cristo, na Sua vida terrena, ensinou-nos com o exemplo e a
palavra a viver em conformidade com Deus e confirmou com
milagres a Sua doutrina; finalmente, para abolir o pecado,
reconciliar-nos com Deus e reabrir-nos o Paraíso, sacrificou-se
sobre a Cruz — "único Mediador entre Deus e os homens".

87. O que é milagre?
Milagre é um fato sensível superior a todas as forças e leis da
natureza e por isso só pode vir de Deus, Senhor da natureza.

88. Especialmente com quais milagres Jesus Cristo confirmou
sua doutrina e demonstrou ser verdadeiro Deus?
Jesus Cristo confirmou sua doutrina e demonstrou ser verdadeiro
Deus especialmente restituindo num instante a vista aos cegos a
audição aos surdos, a palavra aos mudos a saúde a toda sorte de
enfermos, a vida aos mortos, imperando como Senhor aos
demônios e às forças da natureza e, sobretudo com sua
Ressurreição dos mortos.

89. Jesus Cristo morreu como Deus ou como homem?
Jesus Cristo morreu como homem, pois como Deus não podia e
nem padecer e nem morrer.

90. O que fez Jesus Cristo depois da morte?
Jesus Cristo, depois da morte, desceu com a Alma ao Limbo das
almas dos justos mortos até então para conduzi-las em segurança
ao Paraíso; depois ressuscitou, retomando seu Corpo que estava
sepultado.

91. Quanto tempo o Corpo de Jesus Cristo ficou sepultado?
O Corpo de Jesus Cristo ficou sepultado três dias não inteiros, da
tarde de sexta-feira até a alvorada do dia que agora se chama
domingo de Páscoa.

92. O que fez Jesus Cristo depois da sua Ressurreição?
Jesus Cristo, após sua Ressurreição, permaneceu na Terra
quarenta dias; depois subiu ao Céu, onde está sentado à mão
direita de Deus Pai Todo-Poderoso.

93. Por que, depois da sua Ressurreição, Jesus Cristo
permaneceu quarenta dias na Terra?
Depois da ressurreição, Jesus Cristo permaneceu na Terra
quarenta dias para mostrar que estava realmente ressuscitado,
confirmar os discípulos na Fé nele e instruí-los mais
profundamente em sua Doutrina.

94. Jesus Cristo está agora somente no Céu?
Jesus Cristo não está agora somente no Céu, mas como Deus está
em todo lugar e como Deus e homem está no Céu e no Santíssimo
Sacramento do altar.

Cap. 5 - Vinda de Jesus ao fim do mundo; Os dois Juízos

95. Jesus Cristo jamais retornará visivelmente sobre esta
Terra?
Jesus Cristo retornará visivelmente sobre esta Terra no fim do
mundo para julgar os vivos e os mortos, ou seja, todos os homens,
bons e maus.

96. Jesus Cristo esperará até o fim do mundo para nos julgar?
Jesus Cristo não esperará até o fim do mundo para nos julgar, mas
julgará cada um logo após a morte.

97. Existem dois juízos?
Existem dois juízos: um particular, de cada alma, logo após a
morte; outro universal, de todos os homens, no fim do mundo.

98. Pelo que Jesus Cristo nos julgará?
Jesus Cristo nos julgará pelo bem e pelo mal obrados em vida,
inclusive pensamento e omissões.

99. O que ocorre com a alma após o juízo particular?
A alma, após o juízo particular, se estiver sem pecado nem pena a
pagar, vai para o Paraíso; se tiver qualquer pecado venial ou pena
a pagar, vai para o Purgatório até que haja satisfeito; se está em
pecado mortal, qual rebelde inconversível a Deus, vai para o
Inferno.

100. Para onde vão as crianças mortas sem Batismo?
As crianças mortas sem Batismo vão para o Limbo, onde não
existe prêmio sobrenatural nem pena; porque tendo o pecado
original — e só ele — não merecem o Paraíso, mas tampouco o
Inferno ou o Purgatório.

101. O que é o Purgatório?
O Purgatório é o padecimento temporário da privação de Deus e
de outras penas que removem da alma todo resto de pecado para
torná-la digna de ver Deus.

102. Podemos socorrer e inclusive liberar as almas das penas
do Purgatório?
Podemos socorrer e inclusive liberar as almas das penas do
Purgatório com os sufrágios, ou seja, com orações, indulgências,
esmolas e outras boas obras e, sobretudo com a Santa Missa.

103. É certo que existem o Paraíso e o Inferno?
É certo que existem o Paraíso e o Inferno: revelou-o Deus muitas
vezes prometendo aos bons a vida eterna e sua própria alegria ou
ameaçando os maus com a perdição e o fogo eterno.

104. Quanto durará o Paraíso e o Inferno?
O Paraíso e o Inferno durarão eternamente.
Cap. 6 - Igreja Católica

105. O que é a Igreja?
A Igreja é a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, dos
batizados que professam a Fé e a doutrina de Jesus Cristo,
participam de seus sacramentos e obedecem aos Pastores
estabelecidos por Ele.

106. Por quem a Igreja foi fundada?
A Igreja foi fundada por Jesus Cristo, que reuniu seus fiéis numa
sociedade, sujeitou-a aos Apóstolos com São Pedro à cabeça, e
deu-lhe o sacrifício, os sacramentos e o Espírito Santo que a
vivifica.

107. Qual é a Igreja de Jesus Cristo?
A Igreja de Jesus Cristo é a Igreja Católica Romana, pois só Ela é
Una, Santa, Católica e Apostólica como Ele a quis.

108. Por que a Igreja é Una?
A Igreja é Una porque todos os seus membros tiveram, têm e
sempre terão a mesma Fé, sacrifício, sacramentos e cabeça visível,
o Romano Pontífice, sucessor de São Pedro, formando todos assim
um só Corpo Místico de Jesus Cristo.

109. Por que a Igreja é Santa?
A Igreja é Santa porque são Santos Jesus Cristo, sua cabeça
invisível, e o Espírito que a vivifica; porque nela é santa a
doutrina, o sacrifício e os sacramentos, e todos são chamados a
santificarem-se; é porque muitos realmente foram, são e serão
Santos.

110. Por que a Igreja é Católica?
A Igreja é Católica, isto é, universal, porque é instituída e
adequada para todos os homens e espalhada por toda a Terra.

111. Por que a Igreja é Apostólica?
A Igreja é Apostólica porque está fundada sobre os Apóstolos e sua
pregação; é governada por seus sucessores, os Pastores legítimos,
que, sem interrupção e nem alteração, continuam a transmitir a
doutrina e o poder.

112. Quem são os legítimos Pastores da Igreja?
Os legítimos Pastores da Igreja são o Papa ou Sumo Pontífice e os
Bispos unidos a ele.

113. Quem é o Papa?
O Papa é o sucessor de São Pedro na Sé de Roma e no primado, ou
seja, no apostolado e episcopado universal; portanto, a cabeça
visível - vigário de Jesus Cristo, cabeça invisível, - de toda a Igreja,
que por isso se diz Católica Romana.

114. O que constituem o Papa e os Bispos unidos a ele?
O Papa e os Bispos unidos a ele constituem a Igreja docente,
chamada assim porque tem de Jesus Cristo a missão de ensinar a
verdade e as leis divinas a todos os homens, que só dela recebem o
pleno e seguro conhecimento que é necessário para viver
cristãmente.

115. A Igreja docente pode errar ao ensinar-nos as verdades
reveladas por Deus?
A Igreja docente não pode errar ao ensinar-nos as verdades
reveladas por Deus: Ela é infalível porque, como prometeu Jesus
Cristo, "o Espírito de verdade" (São João XV. 26) a assiste
continuamente

116. O Papa sozinho pode errar ao ensinar-nos as verdades
reveladas por Deus?
O Papa sozinho não pode errar ao ensinar-nos as verdades
reveladas por Deus, ou seja, é infalível como a Igreja quando, como
Pastor e Mestre de todos cristãos, define doutrinas sobre a Fé e os
costumes.

117. Fora da Católica Romana, pode outra Igreja ser a Igreja de
Jesus Cristo ou ao menos parte dela?
Fora da Católica Romana, nenhuma Igreja pode ser a Igreja de
Jesus Cristo ou parte dela porque não pode ter ao mesmo tempo as
mesmas características singulares distintivas que Ela: Una, Santa,
Católica e Apostólica; como de fato não existem em nenhuma das
outras Igrejas que se dizem cristãs.

118. Por que Jesus Cristo instituiu a Igreja?
Jesus Cristo instituiu a Igreja para que os homens encontrassem
nela a guia segura e os meios de santidade e de salvação eterna.

119. Quais são os meios de santidade e de salvação eterna que
se encontram na Igreja?
Os meios de santidade e de salvação eterna que se encontram na
Igreja são a verdadeira Fé, o sacrifício e os sacramentos, e os
mútuos auxílios espirituais, como a oração, o conselho, o exemplo.

120. Os meios de santidade e de salvação eterna são comuns a
todos os homens?
Os meios de santidade e de salvação eterna são comuns a todos os
homens que pertencem à Igreja, isto é, aos fiéis, que nos escritos
apostólicos são chamados Santos; por isso sua união e
participação naqueles meios é comunhão dos Santos em coisas
santas.

121. Por que os fiéis que se encontram na Igreja são chamados
Santos?
Os fiéis que se encontram na Igreja são chamados Santos porque
são consagrados a Deus, justificados ou santificados pelos
sacramentos e obrigados a viver santamente.

122. O que significa "comunhão dos Santos"?
Comunhão dos Santos significa que todos os fiéis, formando um só
Corpo em Jesus Cristo, aproveitam-se de todo o bem que existe e
se faz no próprio Corpo, ou seja, na Igreja universal, contanto que
não estejam impedidos pelo o afeto ao pecado.

123. Os Bem-Aventurados do Paraíso e as almas do Purgatório
participam da comunhão dos Santos?
Os Bem-Aventurados do Paraíso e as almas do Purgatório também
eles participam da comunhão dos Santos porque estão unidos
entre si e conosco pela caridade, recebem uns as nossas orações e
os outros os nossos sufrágios, e todos nós retribuem com a sua
intercessão junto a Deus.

124. Quem está fora da comunhão dos Santos?
Está fora da comunhão dos Santos quem está fora da Igreja, ou
seja, os condenados, os infiéis, os judeus, os hereges, os apóstatas,
os cismáticos e os excomungados.

125. Quem são os infiéis?
Os infiéis são os não batizados que não creem de nenhum modo no
Salvador prometido, isto é, no Messias ou Cristo, como os idólatras
ou os muçulmanos.

126. Quem são os judeus?
Os judeus são os não batizados que professam a lei de Moisés e não
creem que Jesus é o Messias ou Cristo prometido.

127. Quem são os hereges?
Os hereges são os batizados que se obstinam em não crer em
alguma verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja; por
exemplo, os protestantes.

128. Quem são os apóstatas?
Os apóstatas são os batizados que renegam, com ato externo, a Fé
Católica já professada.

129. Quem são os cismáticos?
Os cismáticos são os batizados que recusam obstinadamente a
sujeitar-se aos legítimos Pastores e por isso são separados da
Igreja, mesmo que não neguem nenhuma verdade de Fé.

130. Quem são os excomungados?
Os excomungados são os batizados excluídos, por culpas
gravíssimas, da comunhão da Igreja, para que não pervertam os
outros e sejam punidos e corrigidos com esse extremo remédio.

131. Existe grave prejuízo em estar fora da Igreja?
Existe gravíssimo prejuízo em estar fora da Igreja porque fora dela
não há nem os meios de salvação eterna nem a guia segura para
esta, que é a única coisa verdadeiramente necessária para o
homem.

132. Quem está fora da Igreja se salva?
Quem está fora da Igreja por própria culpa e morre sem contrição
perfeita não se salva; mas quem assim se encontre sem culpa
própria e vive bem pode salvar-se com amor de caridade, que une
a Deus e, em espírito, também à Igreja, isto é, à Alma dela.

Cap. 7 - Remissão dos pecados

133. O que significa "remissão dos pecados"?
Remissão dos pecados significa que Jesus Cristo deu aos Apóstolos
e a seus sucessores o poder de remitir na Igreja todo pecado.

134. Como se remitem os pecados na Igreja?
Remitem-se os pecados na Igreja principalmente com os
sacramentos do Batismo e da Penitência, instituídos por Jesus
Cristo para esse fim.

135. O que é o pecado?
O pecado é uma ofensa feita a Deus desobedecendo a sua lei.

136. Existem quantas espécies de pecado?
Existem duas espécies de pecado: original e atual.

137. Qual é o pecado original?
O pecado original é o pecado que a humanidade cometeu em Adão,
sua cabeça, e que de Adão todo homem contrai por natural
descendência.

138. Dentre os filhos de Adão nenhum jamais foi preservado do
pecado original?
Dentre os filhos de Adão foi preservada do pecado original só
Maria Santíssima, que, porque eleita Mãe de Deus, era "cheia de
graça" (São Lucas I. 28) e, portanto, sem pecado desde o primeiro
instante; por isso a Igreja a celebra como a Imaculada Conceição.

139. Como se apaga o pecado original?
O pecado original se apaga com o Santo Batismo.

140. Qual é o pecado atual?
O pecado atual é o que se comete voluntariamente por quem tem o
uso da razão.

141. De quantos modos se comete o pecado atual?
O pecado atual se comete de quatro modos, isto é, por
pensamentos, palavras, obras e omissões.

142. Existem quantas espécies de pecado atual?
Existem duas espécies de pecado atual: mortal e venial.

143. O que é o pecado mortal?
O pecado mortal é uma desobediência à lei de Deus em coisa
grave, feita com plena advertência e deliberado consentimento.

144. Por que o pecado grave se chama mortal?
O pecado grave se chama mortal porque priva a alma da graça
divina que é a sua vida, retira-lhe os méritos e a capacidade de
adquirir outros novos, e torna-a digna de pena ou morte eterna no
Inferno.

145. É, pois, inútil que o pecador faça boas obras, se o pecado
mortal torna o homem incapaz de merecer?
Não é inútil que o pecador faça boas obras, ao invés, deve fazê-las
seja para não tornar-se pior omitindo-as e caindo em novos
pecados, seja para dispor-se com elas de alguma maneira à
conversão e requisição da graça de Deus.

146. Como se readquire a graça de Deus perdida pelo pecado
mortal?
A graça de Deus, perdida pelo pecado mortal, readquire-se com
uma boa confissão sacramental ou com a contrição perfeita que
livra dos pecados, embora permaneça a obrigação de confessá-los.

147. Juntamente com a graça, readquirem-se também os
méritos perdidos pelo pecado mortal?
Juntamente com a graça, por suma misericórdia de Deus,
readquirem-se também os méritos perdidos pelo pecado mortal.

148. O que é o pecado venial?
O pecado venial é desobediência à lei de Deus em coisa leve ou
mesmo em coisa de si grave, mas sem advertência ou
consentimento plenos.

149. Por que o pecado não grave se chama venial?
O pecado não grave se chama venial, isto é, perdoável, porque não
retira a graça e pode se obter o perdão com o arrependimento e as
boas obras, mesmo sem a confissão sacramental.

150. O pecado venial é prejudicial à alma?
O pecado venial é prejudicial à alma porque a esfria no amor de
Deus, dispõe-na ao pecado mortal e a torna digna de penas
temporais nesta vida e na outra.

151. Os pecados são todos iguais?
Os pecados não são iguais; e como alguns pecados veniais são
menos leves que outros, assim também alguns pecados mortais são
mais graves e funestos.

152. Quais são os mais graves e funestos dentre os pecados mortais?
Os pecados contra o Espírito Santo e os que clamam vingança diante de Deus.

Os Seis Pecados Contra o Espírito Santo:
  1. Desespero da salvação;
  2. Presunção de salvar-se sem mérito;
  3. Impugnara verdade conhecida;
  4. Inveja das graças alheias;
  5. Obstinação nos pecados;
  6. Impenitência final.
Os Quatro Pecados que Clamam Vingança Diante de Deus:
  1. Homicídio voluntário;
  2. Pecado impuro contra a natureza;
  3. Oprimir os pobres;
  4. Defraudar o salário ao trabalhador.

153. Por que os pecados contra o Espírito Santo são dos mais
graves e funestos?
Os pecados contra o Espírito Santo são dos mais graves e funestos
porque com eles o homem se opõe aos dons espirituais da verdade
e da graça, e por isso, ainda que o possa, dificilmente se converte.

154. Por que os pecados que clamam vingança diante de Deus
são os mais graves e funestos?
Os pecados que clamam vingança diante de Deus são dos mais
graves e funestos porque diretamente contrários ao bem da
humanidade e odiosíssimos, tanto que provocam, mais que os
outros, os castigos de Deus.

155. O que favorece particularmente a manter-nos longe do
pecado?
Favorece particularmente a manter-nos longe do pecado o
pensamento de que Deus está em toda parte e vê o segredo dos
corações, e a consideração dos Novíssimos, ou seja, do que nos
espera no fim desta vida e do mundo.

Os Quatro Novíssimos:
  1. Morte;
  2. Juízo;
  3. Inferno;
  4. Paraíso.

Cap. 8 - Ressurreição da carne; Vida eterna; Amém

156. O que nos espera no fim da vida?
No fim da vida, esperam-nos as dores e a decomposição da morte e
o juízo particular.

157. O que nos espera no fim do mundo?
No fim do mundo, esperam-nos a ressurreição da carne e o juízo
universal.

158. O que significa "ressurreição da carne"?
Ressurreição da carne significa que o nosso corpo, por virtude de
Deus, recompor-se-á e reunir-se-á à alma para participar, na
vida eterna, do prêmio ou do castigo por ela merecido.

159. O que significa "vida eterna"?
Vida eterna significa que tanto o prêmio como a pena durará
eternamente e que a vista de Deus será a verdadeira vida e
felicidade da alma, enquanto a privação dele será a máxima
infelicidade e como que uma morte eterna.

160. O que significa a palavra "Amém"?
A palavra Amém significa em verdade, assim é e assim seja; e com
ela confirmamos ser verdadeiro tudo o que confessamos no Credo,
e auguramo-nos a remissão dos pecados, a ressurreição para a
glória e a vida eterna em Deus.

PARTE 2

Cap. 1 - Mandamentos de Deus

161. O que são os Mandamentos de Deus?
Os Mandamentos de Deus ou Decálogo são as Leis morais que
Deus, no Velho Testamento, deu a Moisés sobre o Monte Sinai, e
Jesus Cristo aperfeiçoou no Novo.

162. O que nos impõe o Decálogo?
O Decálogo nos impõe os mais estritos deveres naturais com
relação a Deus, a nós mesmos e ao próximo, assim como os outros
deveres que dele provém: os do próprio estado, por exemplo.

163. A que se resume os nossos deveres com relação a Deus e
com relação ao próximo?
Os nossos deveres com relação a Deus e com relação ao próximo
resumem-se à caridade, isto é, ao "máximo e primeiro
mandamento" do amor de Deus e àquele "semelhante" do amor do
próximo: "Destes dois mandamentos", disse Jesus Cristo,
"dependem toda Lei e os Profetas" (São Mateus XXII, 40).

163 a. Os dois mandamentos da caridade:
1. Amarás o Senhor Teu Deus com todo o teu coração, com toda a
tua alma e com toda a tua mente;
2. Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

164. Por que o Mandamento do amor de Deus é o máximo
mandamento?
O Mandamento do amor de Deus é o máximo mandamento porque
quem o observa amando a Deus com toda a alma, observa
certamente todos os outros mandamentos.

165. Os Mandamentos de Deus são possíveis de serem
observados?
Os Mandamentos de Deus são possíveis de serem observados todos
e sempre, inclusive nas mais fortes tentações, com a graça que
Deus não nega nunca a quem o invoca de coração.

166. Somos obrigados a observar os Mandamentos de Deus?
Somos obrigados a observar os Mandamentos de Deus porque são
impostos por Ele, Nosso supremo Senhor, e ditados pela natureza e
pela reta razão.

167. Quem viola os Mandamentos de Deus peca gravemente?
Quem deliberadamente viola mesmo que um só Mandamento de
Deus em matéria grave peca gravemente contra Deus e por isso
merece o Inferno.

168. O que se deve notar nos Mandamentos?
Nos Mandamentos deve-se notar o que é ordenado e o que é
proibido.

169. O que nos ordena o Primeiro Mandamento "Eu sou o
Senhor Teu Deus: não terá outro Deus além de Mim"?
O Primeiro Mandamento "Eu sou o Senhor Teu Deus: não terás
outro Deus além de Mim" nos ordena ser religiosos, isto é, crer em
Deus e amá-lo, adorá-lo, e servi-lo como o único verdadeiro Deus,
Criador e Senhor de tudo.

170. O que nos proíbe o Primeiro Mandamento?
O Primeiro Mandamento nos proíbe a impiedade, a superstição, a
irreligiosidade; ademais a apostasia, a heresia, a dúvida
voluntária e a ignorância culpável das verdades da Fé.

171. O que é impiedade?
Impiedade é a recusa a Deus de todo culto.

172. O que é superstição?
Superstição é o culto divino ou de latria feito a quem não é Deus
ou mesmo a Deus, mas de modo inconveniente: por isso a idolatria
ou culto de falsas divindades e criaturas; o recurso ao demônio,
aos espíritos e a todo meio suspeito para obter coisas
humanamente impossíveis; o uso de ritos inconvenientes, vãos ou
proibidos pela Igreja.

173. O que é irreligiosidade?
Irreligiosidade é a irreverência para com Deus e as coisas divinas,
como o tentar a Deus, o sacrilégio ou profanação de pessoa ou
coisa sagradas, a simonia ou compra e venda de coisas espirituais
ou conexas com as espirituais.

174. Se o culto das criaturas é superstição, como não é
superstição o culto católico dos Anjos e dos Santos?
O culto católico dos Anjos e dos Santos não é superstição porque
não é culto divino ou de adoração devida só a Deus: não os
adoramos como Deus, mas os veneramos como amigos de Deus e
pelos dons que dele possuem: honramos, portanto, o próprio Deus
que, nos Anjos e nos Santos, opera maravilhas.

175. Quem são os Santos?
Os Santos são aqueles que, praticando heroicamente as virtudes
segundo os ensinamentos e os exemplos de Jesus Cristo, merecem
especial glória no Céu e também na Terra, onde, pela autoridade
da Igreja, são publicamente honrados e invocados.

176. Por que veneramos também o corpo dos Santos?
Veneramos também o corpo dos Santos porque lhes serviu no
exercício das virtudes heroicas, certamente foi templo do Espírito
Santo e ressurgirá glorioso na vida eterna.

177. Por que veneramos inclusive as mínimas relíquias e as
imagens dos Santos?
Veneramos inclusive as mínimas relíquias e as imagens dos Santos
por sua memória e honra, referindo a eles toda veneração,
completamente diferente dos idólatras, que rendem às imagens ou
ídolos um culto divino.

178. Deus, no Velho Testamento, não proibiu severamente as
imagens?
Deus, no Velho Testamento, proibiu severamente as imagens para
adoração, de fato quase todas as imagens, como ocasião próxima
de idolatria para os Judeus, que viviam entre os idólatras e eram
muito inclinados à superstição.

179. O que nos proíbe o Segundo Mandamento "não usar o
Santo Nome de Deus em vão"?
O Segundo Mandamento "não usar o Santo Nome de Deus em vão"
nos proíbe desonrar o Nome de Deus: nomeá-lo, portanto, sem
respeito; blasfemar a Deus, a Santíssima Virgem, os Santos e as
coisas santas; fazer juramentos falsos, desnecessários ou de
qualquer modo ilícitos.

180. O que é o juramento?
O juramento é chamar a Deus em testemunho do que se afirma ou
se promete; por isso que jura o mal e quem perjura ofende
sumamente a Deus que é a Santidade e a Verdade.

181. A blasfêmia é grande pecado?
A blasfêmia é grande pecado, pois injuria a Deus e seus Santos e os
escarnece, e muitas vezes é também horrível heresia.

182. O que nos ordena o Segundo Mandamento?
O Segundo Mandamento nos ordena ter sempre reverência pelo
Nome Santo de Deus, e cumprir os votos e as promessas juradas.

183. O que é o voto?
O voto é a promessa feita a Deus de qualquer bem que Lhe agrade,
ao qual nos obrigamos por religião.

184. O que nos ordena o Terceiro Mandamento "recorde-te de
santificar as festas"?
Os Terceiro Mandamento "recorde-te de santificar as festas" nos
ordena honrar a Deus nos dias de festa com atos externos de culto,
dentre os quais para os cristãos o essencial é a Santa Missa.

185. Por que devemos fazer atos externos de culto? Não basta
adorar a Deus, que é Espírito, internamente no coração?
Não basta adorar a Deus internamente no coração, mas devemos
também render-Lhe o culto externo mandado porque estamos
sujeitos a Deus em todo o ser, alma e corpo, e devemos dar bom
exemplo; e também porque de outra forma se perde o espírito
religioso.

186. O que nos proíbe o Terceiro Mandamento?
O Terceiro Mandamento nos proíbe, nos dias de festa, as obras
servis.

187. Quais obras dizem-se servis?
Dizem-se obras servis os trabalhos manuais próprios dos artesãos
e dos operários.

188. Estão todas proibidas, nos dias de festa, as obras servis?
Nos dias de festa, estão proibidas todas as obras servis não
necessárias à vida e ao serviço de Deus, e não justificadas pela
piedade ou outro grave motivo.

189. Como convém ocupar os dias de festa?
Convém ocupar os dias de festa a bem da alma, frequentando a
pregação e o catecismo, e cumprindo qualquer obra boa e também
descansando o corpo, longe de todo vício e dissipação.

190. O que nos ordena o Quarto Mandamento "honrar pai e
mãe"?
O Quarto Mandamento "honrar pai e mãe" nos ordena amar e
respeitar os genitores, e obedecer-lhes, e a qualquer um que tenha
poder sobre nós, isto é, os nossos superiores em autoridade.

191. O que nos proíbe o Quarto Mandamento?
O Quarto Mandamento nos proíbe ofender os genitores e os
superiores em autoridade e desobedecer-lhes.

192. Por que devemos obedecer aos superiores em autoridade?
Devemos obedecer aos superiores em autoridade porque "não há
poder que não venha de Deus (...). Aquele, pois, que resiste à
autoridade, a resiste à ordenação de Deus". (Rom. XIII, 1-2)

193. O que nos proíbe o Quinto Mandamento "não matar"?
O Quinto Mandamento "não matar" nos proíbe causar dano à vida
seja natural ou espiritual do próximo e nossa; proíbe-nos,
portanto, o homicídio, o suicídio, o duelo, os ferimentos, os golpes,
as injúrias, as imprecações e o escândalo.

194. Por que o suicídio é pecado?
O suicídio é pecado, como o homicídio, porque só Deus é dono de
nossa vida, como da de nosso próximo: além do mais é pecado de
desespero que, mais ainda, com a vida, tira a possibilidade de
arrepender-se e salvar-se.

195. A Igreja estabeleceu penas contra o suicida?
A Igreja estabeleceu a privação da sepultura eclesiástica contra o
suicida responsável pelo ato concluído.

196. Por que o duelo é pecado?
O duelo é pecado porque é sempre um atentado de homicídio e,
também, quase de suicídio, feito por vingança privada, em
desprezo das leis e da justiça pública; ademais porque com ele se
confia estultamente a decisão do certo e do errado à força, à
destreza e ao acaso.

197. A Igreja estabeleceu penas contra os duelistas?
A Igreja estabeleceu a excomunhão contra os duelistas e contra
qualquer um que voluntariamente assista ao duelo.

198. O que é escândalo?
Escândalo é dar ao próximo, com qualquer ato mau, ocasião de
pecar.

199. O escândalo é pecado grave?
O escândalo é pecado gravíssimo, e Deus exigirá que se preste
conta do mal que se faz cometer os outros com incitações
perversas e mais exemplos: "ai daquele homem por quem vem o
escândalo" (São Mateus XVIII, 7).

200. O que nos ordena o Quinto Mandamento?
O Quinto Mandamento nos ordena querer o bem a todos, inclusive
aos inimigos, e de reparar o mal corporal e espiritual feito ao
próximo.

201. O que nos proíbe o Sexto Mandamento "não cometerás
atos impuros"?
O Sexto Mandamento "não cometerás atos impuros" nos proíbe
toda impureza: logo, as ações, as palavras, os olhares, os livros, as
imagens, os espetáculos imorais.

202. O que nos ordena o Sexto Mandamento?
O Sexto Mandamento nos ordena ser "Santos no corpo", tendo o
máximo respeito com a pessoa própria e as dos outros, como obras
de Deus e templos onde Ele habita com a presença e com a graça.

203. O que nos proíbe o Sétimo Mandamento "não roubar"?
O Sétimo Mandamento "não roubar" nos proíbe prejudicar o
próximo nos seus bens: logo, proíbe os furtos, as avarias, as
usuras, e as fraudes nos contratos e nos serviços, e colaborar com
esses prejuízos.

204. O que nos ordena o Sétimo Mandamento?
O Sétimo Mandamento nos ordena restituir os bens dos outros,
reparar os danos culpavelmente causados, pagar as dívidas e o
justo salário aos operários.

205. Quem, podendo, não restitui ou repara obterá perdão?
Quem, podendo, não restitui ou repara, não obterá perdão, mesmo
se de palavra se declara arrependido.

206. O que nos proíbe o Oitavo Mandamento "não dar falso
testemunho"?
O Oitavo Mandamento "não dar falso testemunho" nos proíbe toda
falsidade e dano injusto à fama alheia: logo, além do falso
testemunho, a calúnia, a mentira, a detração ou murmuração, a
adulação, o juízo e a suspeita temerários.

207. O que nos ordena o Oitavo Mandamento?
O Oitavo Mandamento nos ordena dizer no momento oportuno a
verdade, e de bem interpretar, se possível, as ações do próximo.

208. Quem prejudicou o próximo no bom nome acusando-o
falsamente ou difamando-o, está obrigado a quê?
Quem prejudicou o próximo no bom nome acusando-o falsamente
ou difamando-o deve reparar o quanto possa o dano causado.

209. O que proíbe o Nono Mandamento "Não desejar a mulher
dos outros"?
O Nono Mandamento "não desejar a mulher dos outros" nos proíbe
os pensamentos e os desejos maus.

210. O que nos ordena o Nono Mandamento?
O Nono Mandamento nos ordena a perfeita pureza da alma e o
máximo respeito, inclusive no íntimo do coração, com o santuário
da família.

211. O que nos proíbe o Décimo Mandamento "não desejar os
bens dos outros"?
O Décimo Mandamento "não desejar os bens dos outros" nos
proíbe a avidez desenfreada das riquezas, sem respeito pelos
direitos e bem do próximo.

212. O que nos ordena o Décimo Mandamento?
O Décimo Mandamento nos ordena ser justos e moderados no
desejo de melhorar a própria condição, e sofrer com paciência as
dificuldades econômicas e as outras misérias permitidas pelo
Senhor para nosso merecimento, pois "...é por muitas tribulações
que devemos entrar no reino de Deus". (Atos dos Apóstolos XIV. 22)

Cap. 2 - Preceitos gerais da Igreja

213. O que são os preceitos gerais da Igreja?
Os preceitos gerais da Igreja são Leis com as quais Ela, aplicando
os Mandamentos de Deus, prescreve aos fiéis alguns atos de
religião e determinadas abstinências.

214. Como a Igreja tem autoridade para fazer Leis e Preceitos?
A Igreja tem autoridade de fazer Leis e Preceitos porque a recebeu
na pessoa dos Apóstolos de Jesus Cristo, o Homem-Deus, e por isso
quem desobedece à Igreja, desobedece ao próprio Deus.

215. Na Igreja, quem pode fazer Leis e Preceitos?
Na Igreja, podem fazer Leis e Preceitos o Papa e os Bispos, como
sucessores dos Apóstolos, aos quais Jesus Cristo disse: "O que vos
ouve, a Mim ouve, e o que vos despreza, a Mim despreza." (São
Lucas X. 16)

PRIMEIRO PRECEITO

216. O que nos ordena o Primeiro Preceito "ouvir Missa no
domingo e nas outras festas de Preceito"?
O Primeiro Preceito "ouvir Missa no domingo e nas outras festas
de Preceito" nos ordena assistir devotamente em tais dias à Santa
Missa.

217. Quem não ouve a Missa nos dias comete pecado grave?
Quem, sem verdadeiro impedimento, não ouve a Missa nos dias de
Preceito, e quem não dá meios a seus dependentes de ouvi-la,
comete pecado grave e não cumpre o Mandamento divino de
santificar as festas.

SEGUNDO PRECEITO

218. O que nos proíbe o Segundo Preceito com as palavras "não
comer carne às sextas-feiras e nos outros dias proibidos"?
O Segundo Preceito com as palavras "não comer carne às
sextas-feiras e nos dias proibidos" nos proíbe comer carne às
sextas-feiras (dia da Paixão e Morte de Jesus Cristo) e em alguns
dias de jejum.

218 a. Os cinco preceitos gerais da Igreja:
1. Ouvir Missa inteira no domingo e nas outras festas de preceito;
2. Abster-se de carne às sextas-feiras e nos outros dias proibidos, e
jejuar nos dias de prescritos;
3. Confessar ao menos uma vez por ano, e comungar pelo menos
na Páscoa;
4. Sustentar as necessidades da Igreja contribuindo segundos as
leis ou os costumes;
5. Não celebrar solenemente as núpcias nos tempos proibidos.
Segundo o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã:
1. Ouvir Missa inteira nos domingos e festas de guarda;
2. Confessar-se uma vez cada ano;
3. Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição;
4. Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre
Igreja;
5. Pagar dízimos segundo o costume.

219. O que ordena o Segundo Preceito com as palavras "jejuar
nos dias prescritos"?
O Segundo Preceito com as palavras "jejuar nos dias prescritos"
ordena observar o jejum eclesiástico na Quaresma, em alguns dias
do Advento, nas quatro Têmporas e em algumas vigílias.

220. A que obriga o jejum eclesiástico?
O jejum eclesiástico obriga a abstinência de determinados
alimentos, e de outras refeições além do almoço: é permitida uma
segunda refeição ligeira.

221. Quem está obrigado ao jejum eclesiástico?
Ao jejum eclesiástico estão obrigados todos os fiéis dos vinte e um
anos completos aos sessenta, se não se está escusado por
enfermidade, trabalhos pesados ou por outra justa razão.

222. Por que a Igreja nos impõe abstinências e jejuns?
A Igreja nos impõe, em conformidade com o exemplo e a doutrina
de Jesus Cristo, abstinências e jejuns para penitência dos pecados,
para mortificação da gula e das paixões e por outras necessidades
particulares.

TERCEIRO PRECEITO

223. O que nos ordena o Terceiro Preceito "confessar pelo
menos uma vez por ano, e comungar pelo menos na Páscoa"?
O Terceiro Preceito "confessar pelo menos uma vez por ano, e
comungar pelo menos na Páscoa" nos ordena aproximarmo-nos à
Penitência ao menos uma vez por ano, e à Eucaristia ao menos no
tempo de Páscoa.

224. Por que a Igreja, impondo confessar e comungar uma vez
por ano, acrescenta as palavras "ao menos"?
A Igreja, impondo confessar e comungar uma vez por ano
acrescenta as palavras "ao menos" para recordar-nos a utilidade,
aliás, a necessidade de receber frequentemente, como é de seu
desejo esses sacramentos.

QUARTO PRECEITO

225. O que nos ordena o Quarto Preceito "sustentar as
necessidades da Igreja contribuindo segundos as leis ou os
costumes"?
O Quarto Preceito "sustentar as necessidades da Igreja
contribuindo segundos as leis ou os costumes" nos ordena fazer as
ofertas estabelecidas pela autoridade ou pelo uso, para o
conveniente exercício do culto e para o honesto sustento dos
ministros de Deus.

QUINTO PRECEITO

226. O que nos proíbe o Quinto Preceito "Não celebrar
solenemente as núpcias nos tempos proibidos"?
O Quinto Preceito, "Não celebrar solenemente as núpcias nos
tempos proibidos", proíbe a Missa com a bênção especial dos
esposos desde o primeiro domingo do Advento até o Santo Natal e
desde a Quarta-Feira de Cinzas até o Domingo de Páscoa.

Cap. 3 - Virtude

227. O que é a virtude?
A virtude é uma constante disposição da alma para fazer o bem.

228. Quantas espécies de virtude existem?
Existem duas espécies de virtude: as virtudes naturais, que
adquirimos repetindo atos bons, como aquelas que se dizem
morais, e as virtudes sobrenaturais que não podemos adquirir
nem mesmo exercitar só com nossas forças, mas nos vêm dadas
por Deus, e são as virtudes próprias do cristão.

229. Quais são as virtudes próprias do cristão?
As virtudes próprias do cristão são as virtudes sobrenaturais e
especialmente a Fé, a Esperança e a Caridade, que se chamam
teologais ou divinas, pois têm o próprio Deus por objeto e por
motivo.

230. Como recebemos e exercitamos as virtudes
sobrenaturais?
Recebemos e exercitamos as virtudes sobrenaturais junto à graça
santificante, por meio dos sacramentos ou pelo amor de caridade,
e as exercitamos com as graças atuais dos bons pensamentos e das
inspirações com as quais Deus nos move e nos ajuda em todo ato
bom.

231. Dentre as virtudes sobrenaturais qual é a mais excelente?
Dentre as virtudes sobrenaturais a mais excelente é a Caridade,
pois é inseparável da graça santificante, nos une intimamente a
Deus e ao próximo, nos move à perfeita observância da Lei e a
toda boa obra, e não cessará nunca: nela está a perfeição cristã.

232. O que é a Fé?
A Fé é a virtude sobrenatural pela qual cremos, sob a autoridade
de Deus, o que Ele revelou e nos propõe a crer por meio da Igreja.

233. Onde se conserva o que Deus revelou e nos propõe a crer
por meio da Igreja?
O que Deus revelou e nos propõe a crer por meio da Igreja se
conserva na Sagrada Escritura e na Tradição.

234. O que é a Sagrada Escritura?
A Sagrada Escritura é a coleção dos livros escritos por inspiração
de Deus no Velho e no Novo Testamento, e recebida pela Igreja
como obra do próprio Deus.

235. O que é a Tradição?
A Tradição é o ensinamento de Jesus Cristo e dos Apóstolos, feito a
viva voz, e da Igreja transmitido até nós sem alteração.

236. Quem pode, com autoridade, fazer-nos conhecer
inteiramente e no verdadeiro sentido as verdades contidas na
Escritura e na Tradição?
Só a Igreja pode, com autoridade, fazer-nos conhecer inteiramente
e no verdadeiro sentido as verdades contidas na Escritura e na
Tradição, pois só a Ela Deus confiou o depósito da Fé e mandou o
Espírito Santo que continuamente a assiste, a fim de que não erre.

237. Basta crer em geral nas verdades reveladas por Deus?
Não basta crer em geral nas verdades reveladas por Deus, mas
algumas, isto é, a existência de Deus remunerador e os dois
mistérios principais, devem-se crer também com expresso ato de
Fé.

237 a. Os dois principais mistério da Fé:
1. Unidade e Trindade de Deus;
2. Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

238. O que é a Esperança?
A Esperança é a virtude sobrenatural pela qual confiamos em
Deus e dele esperamos a vida e as graças necessárias para
merecê-la aqui embaixo com as boas obras.

239. Por qual motivo esperamos de Deus a vida eterna e as
graças necessárias para merecê-la?
Esperamos de Deus a vida eterna e as graças necessárias para
merecê-la porque Ele, infinitamente bom e fiel, no-la prometeu
pelos méritos de Jesus Cristo, por isso quem desconfia ou
desespera O ofende sumamente.

240. O que é a Caridade?
A Caridade é a virtude sobrenatural pela qual amamos Deus por Si
mesmo sobre todas as coisas, e o próximo como a nós mesmos por
amor a Deus.

241. Por que devemos amar a Deus?
Devemos amar a Deus por Si mesmo, como o sumo Bem, fonte de
todo nosso bem, e por isso devemos amá-lo sobre todas as coisas
(São Marcos XII. 30).

242. Por que devemos amar o próximo?
Devemos amar o próximo por amor a Deus que no-lo ordena, e
porque todo homem é criado à imagem e semelhança de Deus,
como nós, e é nosso irmão.

243. Somos obrigados a amar inclusive os nossos inimigos?
Somos obrigados a amar inclusive os nossos inimigos, perdoando
as ofensas, porque são eles também nosso próximo, e porque Jesus
Cristo no-lo ordenou expressamente.

244. Quando devemos fazer atos de Fé, Esperança e Caridade?
Devemos fazer atos de Fé Esperança e Caridade muitas vezes na
vida e, em particular, quando tivermos tentações a vencer ou
importantes deveres cristãos a cumprir, e nos perigos de morte.

245. É bom fazer muitas vezes atos de Fé, Esperança e
Caridade?
É bom fazer muitas vezes atos de Fé, Esperança e Caridade, para
conservar, aumentar e refortalecer virtudes tão necessárias, que
são como partes vitais do "homem espiritual".

246. Como devemos fazer atos de Fé, Esperança e Caridade?
Devemos fazer atos de Fé, Esperança e Caridade com o coração, a
boca e as obras, dando prova em nossa conduta.

247. Como se dá prova da Fé?
Dá-se prova da Fé confessando-a e defendendo-a, quando
necessário, sem temor e sem respeito humano, e vivendo segundo
as suas máximas: "...a Fé sem obras é morta" (São Tiago II. 26).

248. Como se dá prova da Esperança?
Dá-se prova da Esperança não se perturbando pelas misérias e
contrariedades da vida, e nem mesmo pelas perseguições, mas
vivendo resignados, seguros das promessas de Deus.

249. Como se dá prova da Caridade?
Dá-se prova da Caridade observando os mandamentos e
exercitando as obras de misericórdia, e se Deus chama, seguindo
os Conselhos Evangélicos.

249 a. As Sete Obras de Misericórdia Corporal:
1. Dar de comer aos que têm fome;
2. Dar de beber aos que têm sede;
3. Vestir os desnudos;
4. Dar abrigo aos peregrinos;
5. Visitar os enfermos;
6. Visitar os encarcerados;
7. Enterrar os mortos.

249 b. As Sete Obras de Misericórdia Espiritual:
1. Aconselhar os perplexos;
2. Ensinar os ignorantes;
3. Admoestar os pecadores;
4. Consolar os aflitos;
5. Perdoar as ofensas;
6. Suportar pacientemente as fraquezas do próximo;
7. Rogar a Deus pelos vivos e os mortos.

250. O que são os Conselhos Evangélicos?
Os Conselhos Evangélicos são exortações que Jesus Cristo fez no
Evangelho a uma vida mais perfeita, mediante a prática de
virtudes não ordenadas.

251. Quais são os principais Conselhos Evangélicos?
Os principais Conselhos Evangélicos são: a pobreza voluntária, a
castidade perpétua e a obediência perfeita.

252. O que é a virtude moral?
A virtude moral é o hábito de fazer o bem, adquirido repetindo
atos bons.

253. Quais são as principais virtudes morais?
As principais virtudes morais são: A religião que nos faz render a
Deus o culto devido, e as quatro virtudes cardeais, prudência,
justiça, fortaleza e temperança, que nos faz honestos no viver.

254. Por que as virtudes cardeais são assim chamadas?
As virtudes cardeais são assim chamadas porque são a base, isto é,
o sustento das outras virtudes morais.

255. O que é a prudência?
A prudência é a virtude que dirige os atos ao devido fim, e faz
discernir e usar os meios bons.

256. O que é a justiça?
A justiça é a virtude que faz dar a cada um o que lhe é devido.

257. O que é a fortaleza?
A fortaleza é a virtude que faz afrontar sem temeridade e sem
timidez qualquer dificuldade ou perigo, e inclusive a morte, pelo
serviço de Deus e pelo bem do próximo.

258. O que é a temperança?
A temperança é a virtude que refreia as paixões e os desejos,
especialmente os sensuais, e modera o uso dos bens sensíveis.

259. O que são as paixões?
As paixões são comoções ou movimentos violentos da alma que, se
não moderados pela razão, arrastam ao vício e, muitas vezes,
inclusive ao crime.

260. O que é o vício?
O vício é o hábito de fazer o mal, adquirido repetindo atos maus.

261. Quais são os vícios principais?
Os vícios principais são os sete vícios (ou pecados) capitais,
chamados assim porque são a cabeça e a origem dos outros vícios
e pecados.

261 a. Os Sete Vícios (ou Pecados) Capitais:
1. Soberba;
2. Avareza;
3. Luxúria;
4. Ira;
5. Gula;
6. Inveja;
7. Preguiça.

262. Quais são as virtudes opostas aos vícios capitais?
As virtudes opostas aos vícios capitais são: a humildade, a
liberalidade, a castidade, a paciência, a sobriedade, a fraternidade
e a diligência no serviço de Deus.

263. Jesus Cristo recomendou em particular alguma virtude
moral?
Jesus Cristo recomendou em particular algumas virtudes morais,
chamando, nas oito Bem-Aventuranças Evangélicas,
bem-aventurado quem as praticar.

264. Diga as Bem-Aventuranças Evangélicas.
"Bem-Aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos
céus.
Bem-Aventurados os mansos, porque possuirão a Terra.
Bem-Aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão
saciados.
Bem-Aventurados os misericordiosos, porque alcançarão
misericórdia.
Bem-Aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-Aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de
Deus.
Bem-Aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus" (São Mateus V. 3-10)

265. Por que Jesus Cristo, nas Bem-Aventuranças Evangélicas,
chamou "Bem-Aventuranças", contrariamente à opinião do
mundo, às pessoas humildes e atribuladas?
Jesus Cristo, nas Bem-Aventuranças Evangélicas, chamou
"Bem-Aventuranças", contrariamente à opinião do mundo, as
pessoas humildes e atribuladas porque terão um prêmio especial
de Deus, e nos ensinou como imitá-lo, sem nos preocupar com as
falácias máximas do mundo.

266. Podem ser verdadeiramente felizes os que seguem as
máximas do mundo?
Os que seguem as máximas do mundo não podem ser
verdadeiramente felizes, pois não procuram a Deus, seu Senhor e
sua verdadeira felicidade, é assim não têm paz de consciência e
caminham para a perdição.

PARTE 3 - Seção 1

Cap. 1 - Sacramentos em geral

267. O que são os Sacramentos?
Os Sacramentos são sinais eficazes das Graças, instituídos por
Jesus Cristo para nos santificar.

268. Por que os Sacramentos são sinais eficazes da Graça?
Os Sacramentos são sinais da Graça porque com a parte sensível
que possuem significam ou indicam a Graça invisível que
conferem, e são sinais eficazes delas porque significando a Graça
realmente a conferem.

269. Quais Graças conferem os Sacramentos?
Os Sacramentos conferem a Graça santificante e a Graça
sacramental.

270. O que é a Graça santificante?
A Graça santificante é aquele dom sobrenatural, inerente a nossa
alma e por isso habitual, que nos torna Santos, isto é, justos,
amigos e filhos adotivos de Deus, irmãos de Jesus Cristo e
herdeiros do Paraíso.

271. O que é a Graça sacramental?
A Graça sacramental é o direito às Graças especiais necessárias
para conseguir o fim próprio de cada Sacramento.

272. Quem deu aos Sacramentos a virtude de conferir a Graça?
Jesus Cristo, o Homem-Deus, deu aos Sacramentos a virtude de
conferir a Graça, que Ele mesmo nos mereceu com sua Paixão e
Morte.

273. Como nos santificam os Sacramentos?
Os Sacramentos nos santificam ou dando-nos a primeira Graça
santificante que cancela o pecado ou aumentando em nós a Graça
que já possuímos.

274. Quais Sacramentos nos dão a primeira Graça?
Dão-nos a primeira Graça o Batismo e a Penitência, que se
chamam Sacramentos dos mortos, pois dão a vida da Graça às
almas mortas pelo pecado.

275. Quais Sacramentos aumentam em nós a Graça?
Aumenta em nós a Graça a Crisma, a Eucaristia, a
Extrema-Unção, a Ordem e o Matrimônio, que se chamam
Sacramentos dos vivos, pois quem os recebe deve já viver
espiritualmente pela Graça de Deus.

276. Quem recebe um Sacramento dos vivos sabendo não estar
na Graça de Deus comete pecado?
Quem recebe um Sacramento dos vivos sabendo não estar na
Graça de Deus comete pecado gravíssimo de sacrilégio, pois recebe
indignamente uma coisa sagrada.

277. O que devemos fazer para conservar a Graça dos
Sacramentos?
Para conservar a Graça dos Sacramentos devemos corresponder
com a ação própria, fazendo o bem e fugindo do mal.

278. Quais são os Sacramentos mais necessários para
salvar-se?
Os Sacramentos mais necessários para salvar-se são os
Sacramentos dos mortos, isto é, o Batismo e a Penitência, pois dá a
Primeira Graça ou a vida espiritual.

279. O Batismo e a Penitência são igualmente necessários?
O Batismo e a Penitência não são igualmente necessários, pois o
Batismo é necessário a todos, nascendo todos com o pecado
original; a Penitência, ao invés, é necessária àqueles que, depois
do Batismo, perderam a Graça pecando mortalmente.

280. Se o Batismo é necessário a todos, ninguém pode
salvar-se sem Batismo?
Sem Batismo ninguém pode salvar-se quando, porém não se pode
receber o Batismo de Água, basta o Batismo de Sangue, isto é, o
martírio sofrido por Jesus Cristo, ou o Batismo de Desejo, que é o
amor de Caridade, desejoso dos meios de salvação instituídos por
Deus.

281. Quantas vezes podem-se receber os Sacramentos?
Alguns Sacramentos podem-se receber muitas vezes; outros, uma
só vez.

282. Quais Sacramentos recebem-se uma só vez?
Recebem-se uma só vez o Batismo, a Crisma e a Ordem.

283. Por que o Batismo, a Crisma e a Ordem recebem-se uma
só vez?
O Batismo, a Crisma e a Ordem recebem-se uma só vez porque
imprimem na alma um caráter permanente, operando uma
consagração perpétua do homem a Jesus Cristo, a qual o distingue
de quem não a possui.

284. O que é o caráter?
O caráter é um sinal distintivo espiritual que não se apaga nunca.

285. Qual caráter imprimem na alma o Batismo, a Crisma e a
Ordem?
O Batismo imprime na alma o caráter de cristão; a Crisma o de
soldado de Jesus Cristo; a Ordem o de seu ministro.

286. Quantas coisas requerem-se para fazer um Sacramento?
Para fazer um Sacramento requerem-se três coisas: a matéria, a
forma e o ministro, que tenha a intenção de fazer o que faz a
Igreja.

287. O que é a matéria do Sacramento?
Matéria do Sacramento é o elemento sensível que se requer para
fazê-lo, como a água no Batismo.

288. O que é a forma do Sacramento?
Forma do Sacramento são as palavras que o ministro deve proferir
no ato mesmo de aplicar a matéria.

289. Quem é o ministro do Sacramento?
Ministro do Sacramento é a pessoa capaz que o faz ou confere, em
nome e por autoridade de Jesus Cristo.

Cap. 2 - Batismo

290. O que é o Batismo?
O Batismo é o Sacramento que nos faz cristãos, isto é, seguidores
de Jesus Cristo, filhos de Deus e membros da Igreja.

291. Qual é a matéria do Batismo?
A matéria do Batismo é a água natural.

292. Qual é a forma do Batismo?
A forma do Batismo são as palavras "eu te batizo em Nome do Pai,
e do Filho, e do Espírito Santo".

293. Quem é o ministro do Batismo?
O ministro do Batismo é ordinariamente o sacerdote, mas, em
caso de necessidade, pode ser qualquer pessoa, inclusive um
herege ou um infiel, que tenha a intenção de fazer o que faz a
Igreja.

294. Como se dá o Batismo?
O Batismo se dá vertendo a água sobre a cabeça do batizando e
dizendo ao mesmo tempo as palavras da forma.

295. Quais efeitos produz o Batismo?
O Batismo confere a primeira Graça santificante a as virtudes
sobrenaturais, removendo o pecado original e os atuais, se houver,
com todo débito de pena por eles devido; imprime o caráter de
cristão e torna capaz de receber os outros Sacramentos.

296. O Batismo transforma o homem?
O Batismo transforma o homem no espírito e o faz como renascer
tornando-o um homem novo, por isso então se lhe dá um nome
conveniente, o de um Santo que lhe seja exemplo e protetor na
vida de cristão.

297. Quem recebe o Batismo a que se obriga?
Quem recebe o Batismo, transformando-se em cristão, se obriga a
professar a Fé e a observar a Lei de Jesus Cristo, e por isso
renuncia a quanto se lhes opõe.

298. A que se renuncia ao receber o Batismo?
Ao receber o Batismo se renuncia ao demônio, às suas obras e às
suas pompas.

299. O que se entende por obras e pompas do demônio?
Por obras e pompas do demônio se entende os pecados, as vaidades
do mundo e as suas máximas perversas, contrárias ao Evangelho.

300. Como as crianças, no Batismo, renunciam ao demônio?
As crianças, no Batismo, renunciam ao demônio por meio dos
padrinhos.

301. Quem são os padrinhos no Batismo?
Os padrinhos no Batismo são os que apresentam à Igreja o
batizado, respondendo em seu nome se é criança, assumindo,
quais pais espirituais, o cuidado da sua educação cristã, se lhe
faltarem os pais, e por isso devem ser bons cristãos.

302. Somos obrigados a manter as promessas e as renúncias
feitas pelos padrinhos em nosso nome no Batismo?
Somos obrigados a manter as promessas e as renúncias feitas
pelos padrinhos em nosso nome no Batismo porque elas nos
impõem só que Deus impõe a todos, e que devemos nós mesmos
prometer para salvar-nos.

303. Os pais ou quem lhes toma o lugar, quando devem mandar
a criança ao Batismo?
Os pais ou quem lhes toma o lugar devem mandar a criança ao
Batismo com não mais que oito ou dez dias de nascido; convém,
antes, assegurar-lhes rapidamente a Graça e a felicidade eterna,
podendo ela muito facilmente morrer.

Cap. 3 - Crisma ou Confirmação

304. O que é a Crisma ou Confirmação?
A Crisma ou Confirmação é o Sacramento que nos faz perfeitos
cristãos e soldados de Jesus Cristo, e nos imprime este caráter.

305. Qual é a matéria da Crisma?
A matéria da Crisma é o Santo Crisma, isto é, óleo misturado ao
bálsamo, consagrado pelo Bispo na Quinta-Feira Santa.

306. Qual é a forma da Crisma?
A forma da Crisma são as palavras "eu te assinalo com o sinal da
Cruz. E te confirmo com o Crisma da salvação. Em Nome do Pai, e
do Filho, e do Espírito Santo".

307. Quem é o ministro da Crisma?
O ministro da Crisma é o Bispo e, extraordinariamente, o
sacerdote que tenha recebido do Papa tal faculdade.

308. Como o Bispo administra a Crisma?
O Bispo estende as mãos sobre os crismandos, invoca o Espírito
Santo, depois, com o sagrado Crisma, unge em forma de Cruz a
testa de cada um, pronunciando as palavras da forma, em seguida
lhes dá um ligeiro tapa dizendo: "a paz esteja contigo"; e ao fim
abençoa solenemente todos os cristãos.

309. De que modo a Crisma nos faz perfeitos cristão e soldados
de Jesus Cristo?
A Crisma nos faz perfeitos cristãos e soldados de Jesus Cristo
dando-nos a abundância do Espírito Santo, isto é, da sua Graça e
de seus dons, os quais nos confirmam ou refortalecem na fé e nas
outras virtudes contra os inimigos espirituais.

310. Com que idade é bom receber a Crisma?
É bom receber a Crisma com aproximadamente a idade de sete
anos, pois é quando costumam começar as tentações, e se pode
conhecer suficientemente a Santidade e a Graça deste
Sacramento.

311. Quais disposições deve ter quem recebe a Crisma?
Quem recebe a Crisma deve estar na Graça de Deus e, se tem uso
da razão, deve conhecer os mistérios principais da Fé, e
aproximar-se do Sacramento com devoção, profundamente
compenetrado do que o rito significa.

312. O que significa o sagrado Crisma?
O sagrado Crisma, com o óleo que se expande e dá força, significa
a Graça abundante da Confirmação, e com o bálsamo que é
cheiroso e preserva da corrupção, significa o bom odor das
virtudes que os crismados deverá possuir, fugindo da corrupção
dos vícios.

313. O que significa a unção que se faz sobre a testa em forma
de Cruz?
A unção que se faz sobre a testa em forma de Cruz significa que o
crismado, valente soldado de Jesus Cristo, deverá manter a cabeça
erguida sem envergonhar-se da Cruz e sem ter medo dos inimigos
da Fé.

314. O que significa o leve tapa que o Bispo dá no crismando?
O leve tapa que o Bispo dá no crismando significa que este deve
estar disposto a sofrer pela Fé toda afronta e toda pena.

315. Existem padrinhos na Crisma?
Na Crisma existem para os homens os padrinhos e, para as
mulheres, as madrinhas, que devem ser bons cristãos para edificar
e assistir espiritualmente os crismandos.

Cap. 4 - Eucaristia

316. O que é a Eucaristia?
A Eucaristia é o Sacramento que, sob as aparências do pão e do
vinho, contém realmente Corpo, Sangue, Alma e Divindade de
Nosso Senhor Jesus Cristo para alimento das almas.

317. Qual é a matéria da Eucaristia?
A matéria da Eucaristia é o pão de trigo e o vinho de uva.

318. Qual é a forma da Eucaristia?
A forma da Eucaristia são as palavras de Jesus Cristo "Isto é o Meu
Corpo (...). Este é o cálice do Meu Sangue (...) derramado por vós e
por muitos para a remissão dos pecados".

319. Quem é ministro da Eucaristia?
O ministro da Eucaristia é o sacerdote que pronunciando na
Missa as palavras de Jesus Cristo, transforma o pão no Corpo e o
vinho no Sangue dele.

320. Quando Jesus Cristo instituiu a Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu a Eucaristia na última Ceia, antes da sua
Paixão, quando consagrou o pão e o vinho e lhes distribuiu aos
Apóstolos como seu Corpo e Sangue, ordenando que depois
fizessem a mesma coisa em sua memória.

321. Por que Jesus Cristo instituiu a Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu a Eucaristia para que fosse, na Missa, o
Sacrifício permanente do Novo Testamento e, na Comunhão, o
alimento das almas, em perpétua memória de seu amor e da sua
Paixão e Morte.

322. Na Eucaristia há o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e
que nasceu na Terra de Maria Virgem?
Na Eucaristia há o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que
nasceu na Terra de Maria Virgem.

323. Por que vós acreditais que Jesus Cristo está
verdadeiramente na Eucaristia?
Creio que Jesus Cristo está verdadeiramente na Eucaristia porque
Ele mesmo chamou Corpo e Sangue seu o pão e o vinho
consagrados e porque assim nos ensina a Igreja; mas é um
mistério, e grande mistério.

324. O que é a hóstia antes da consagração?
A hóstia antes da consagração é pão.

325. Após a consagração o que é a hóstia?
Após a consagração a hóstia é o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor
Jesus Cristo sob as aparências do pão.

326. No cálice antes da consagração o que se contém?
No cálice, antes da consagração, se contém vinho com algumas
gotas d'água.

327. Após a consagração o que há no cálice?
No cálice, após a consagração, há o verdadeiro Sangue de Nosso
Senhor Jesus Cristo sob as aparências do vinho.

328. Quando o pão e o vinho se transformam em Corpo e
Sangue de Jesus?
O pão e o vinho se transformam em Corpo e Sangue de Jesus no
momento da consagração.

329. Após a consagração, não há mais nada do pão e do vinho?
Após a consagração, não há mais nem pão nem vinho, mas
permanecem somente as espécies ou aparências, sem a substância.

330. O que são as espécies ou aparências?
As espécies ou aparências são tudo o que cai sob os sentidos, como
a figura, a cor, o odor, o sabor do pão e do vinho.

331. Sob as aparências do pão há só o Corpo de Jesus Cristo, ou
sob as do vinho há só o seu Sangue?
Não, sob as aparências do pão há Jesus Cristo todo inteiro, com
Corpo, Sangue, Alma e Divindade; assim como sob as do vinho.

332. Quando se parte a hóstia em muitas partes, parte-se o
Corpo de Jesus Cristo?
Quando se parte a hóstia em muitas partes, não se parte o Corpo
de Jesus Cristo, mas só as espécies do pão, e o Corpo do Senhor
permanecem inteiros em cada parte.

333. Jesus Cristo encontra-se em todas as hóstias consagradas
do mundo?
Sim, Jesus Cristo encontra-se em todas as hóstias consagradas do
mundo

334. Por que se conserva nas Igrejas a Santíssima Eucaristia?
A Santíssima Eucaristia se conserva nas Igrejas para que os fiéis a
adorem, para que a recebam nas Comunhões, e para que achem
nela a perpétua assistência e presença de Jesus Cristo na Igreja.

335. Quantas coisas são necessárias para fazer uma boa
Comunhão?
Para fazer uma boa Comunhão são necessárias três coisas: 1° estar
na Graça de Deus; 2° saber e pensar quem se vai receber; 3° estar
em jejum desde a meia-noite.

336. O que significa "estar na Graça de Deus"?
Estar na Graça de Deus significa ter a consciência limpa de todo
pecado mortal.

337. Quem Comunga sabendo estar em pecado mortal recebe
Jesus Cristo?
Quem Comunga sabendo estar em pecado mortal recebe Jesus
Cristo, mas não a sua Graça, ao invés, cometendo um horrível
sacrilégio, torna-se merecedor da danação.

338. O que significa "saber e pensar quem se vai receber"?
Saber e pensar quem se vai receber significa aproximar-se de
Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia com Fé viva, com ardente
desejo e com profunda humildade e modéstia.

339. Qual jejum requer-se antes da Comunhão?
Antes da Comunhão, requer-se o jejum natural, ou seja, total, que
se quebra com qualquer coisa tomada a modo de alimento ou de
bebida.

340. Nunca é permitida a Comunhão a quem não está de jejum?
A Comunhão a quem não está de jejum é permitida em perigo de
morte e durante as longas doenças, nas condições determinadas
pela Igreja.

341. Existe a obrigação de receber a Comunhão?
Existe a obrigação de receber a Comunhão todos o anos pela
Páscoa e em perigo de morte, como Viático que sustenta a alma na
viagem para a eternidade.

342. Com que idade começa a obrigação da Comunhão Pascal?
A obrigação da Comunhão Pascal começa com a idade em que se é
capaz de fazê-la com suficientes disposições, isto é,
ordinariamente por volta dos sete anos.

343. E bom e útil comungar frequentemente?
É ótimo e utilíssimo comungar frequentemente, inclusive todos os
dias, contando que se faça sempre com as disposições.

344. Após a Comunhão, quanto tempo permanece em nós Jesus
Cristo?
Após a Comunhão, Jesus Cristo permanece em nós enquanto
duram as espécies eucarísticas.

345. Quais efeitos produz a Eucaristia em que a recebe
dignamente?
A Eucaristia, em quem a recebe dignamente, conserva e aumenta
a Graça, que é a vida da alma, assim como faz o alimento com a
vida do corpo; remite os pecados veniais e preserva dos mortais,
dá consolações espirituais e conforto, aumentando a Caridade e a
Esperança da vida eterna da qual é penhor.

346. A Eucaristia é só um Sacramento?
A Eucaristia não é só um Sacramento, mas é também o Sacrifício
permanente do Novo Testamento e como tal se chama "Santa
Missa".

347. O que é o Sacrifício?
O Sacrifício é a pública oferta a Deus de uma coisa que se destrói
para professar que Ele é o Criador e Dono supremo, a quem tudo
inteiramente é devido.

348. O que é a Santa Missa?
A Santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo
que, sob as espécies do pão e do vinho, se oferece pelo sacerdote a
Deus sobre o altar, em memória e renovação do Sacrifício da Cruz.

349. O Sacrifício da Missa é o mesmo Sacrifício da Cruz?
O Sacrifício da Missa é o mesmo Sacrifício da Cruz, só há
diferenças no modo de realizá-lo.

350. Que diferença há entre o Sacrifício da Cruz e o da Missa?
Entre o Sacrifício da Cruz e o da Missa há esta diferença: que
Jesus Cristo sobre a Cruz se sacrificou dando voluntariamente o
próprio Sangue e mereceu todas as Graças por nós; pelo contrário,
sobre o altar Ele, sem derramar Sangue, se sacrifica e se aniquila
misticamente pelo ministério do sacerdote e aplica-nos os méritos
do Sacrifício da Cruz.

351. Para quis fins de oferece a Deus a Missa?
A Missa se oferece a Deus para render-lhe o culto supremo de
latria ou adoração, para agradecer-lhe por seus benefícios, para
aplacá-lo e prestar-lhe satisfação pelos nossos pecados, e para
obter Graças, a favor dos fiéis vivos e defuntos.

352. A Missa não se oferece também aos Santos?
A Missa não se oferece aos Santos, mas só a Deus, ainda quando se
celebra em honra dos Santos: o Sacrifício é devido apenas ao
Criador e Dono supremo.

353. Somos obrigados a ouvir a Missa?
Somos obrigados a ouvir a Missa aos domingos e outras festas de
guarda; é útil, no entanto, assisti-la frequentemente, para
participar do maior ato da Religião, sumamente agradável a Deus
e meritório.

354. Qual é o modo mais conveniente de assistir à Missa?
O modo mais conveniente de assistir à Missa é oferecê-la a Deus
em união com o sacerdote, rememorando o Sacrifício da Cruz, isto
é, a Paixão e Morte do Senhor, e comungando: a Comunhão é
união real com a Vítima imolada, e é por isso a maior
participação no Santo Sacrifício.

Cap. 5 - Penitência

355. O que é a Penitência?
A Penitência ou Confissão é o Sacramento instituído por Jesus
Cristo para remitir os pecados cometidos depois do Batismo.

356. O Sacramento da Penitência foi instituído quando por
Jesus Cristo?
O Sacramento da Penitência foi instituído por Jesus Cristo quando
disse aos Apóstolos, e neles aos seus sucessores: "...Recebei o
Espírito Santo, àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão
perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos"
(São João XX. 22-23).

357. Quem é o ministro da Penitência?
O ministro da Penitência é o sacerdote aprovado pelo Bispo.

358. Quantas e quais coisas requerem-se para fazer uma boa
Confissão?
Para fazer uma boa Confissão requerem-se cinco coisas: 1° o
exame de consciência; 2° a dor dos pecados; 3° o propósito de não
cometê-los mais; 5° a satisfação ou penitência.

359. Como se faz o exame de consciência?
O exame de consciência se faz recordando os pecados cometidos
por pensamentos, palavras, obras e omissões, contra os
Mandamentos de Deus, os Preceitos da Igreja e as obrigações do
próprio estado, a partir da última Confissão bem feita.

360. No exame devemos investigar o número dos pecados?
No exame devemos investigar com diligência inclusive o número
dos pecados mortais.

361. O que é a dor?
A dor ou arrependimento é o desgosto e ódio dos pecados
cometidos, que faz propor-nos a não mais pecar.

362. De quantas espécies é a dor?
A dor é de duas espécies: perfeita ou contrição, e imperfeita ou
atrição.

363. O que é a dor perfeita ou contrição?
A dor perfeita ou contrição é o desgosto dos pecados cometidos
porque são ofensas a Deus Nosso Pai, infinitamente bom e amável,
e causa da Paixão e Morte de Nosso Redentor Jesus Cristo, Filho de
Deus.

364. Por que a contrição é dor perfeita?
A contrição é dor perfeita porque nasce de um motivo perfeito, isto
é, do amor filial a Deus ou Caridade, e porque nos obtém
imediatamente o perdão dos pecados, embora permaneça a
obrigação de confessá-los.

365. O que é a dor imperfeita ou atrição?
A dor imperfeita ou atrição é o desgosto dos pecados cometidos
por medo dos castigos eternos e temporais, ou também pela feiura
do pecado.

366. Por que a atrição é dor imperfeita?
A atrição é dor imperfeita porque nasce de motivos menos
perfeitos e próprios de servos em vez de filhos, e porque não nos
obtém o perdão dos pecados senão mediante o Sacramento.

367. É necessário ter dor de todos os pecados cometidos?
É necessário ter dor de todos os pecados cometidos, sem exceção, e
convém tê-la até dos veniais.

368. Por que é necessário ter dor de todos os pecados mortais?
É necessário ter dor de todos os pecados mortais porque com
qualquer um deles Deus é gravemente ofendido, perde-se a Graça,
e merece-se ficar separados eternamente dele.

369. O que é o propósito?
O propósito é a vontade resoluta de não cometer nunca mais
pecados e de fugir das ocasiões.

370. O que é a ocasião do pecado?
A ocasião do pecado é o que nos põe em perigo de pecar, seja
pessoa seja coisa.

371. Somos obrigados a fugir das ocasiões dos pecados?
Somos obrigados a fugir das ocasiões dos pecados porque somos
obrigados a fugir dos pecados: quem não foge dele, acaba por cair,
pois... "aquele que ama o perigo perecerá nele" (Eclesiástico III. 27).

372. O que é a Confissão?
A Confissão é a acusação dos pecados feita ao sacerdote confessor,
para dele receber a absolvição.

373. Quais pecados somos obrigados a confessar?
Somos obrigados a confessar todos os pecados mortais ainda não
confessados; é útil, no entanto, confessar também os veniais.

374. Como devemos acusar os pecados mortais?
Devemos acusar os pecados mortais integralmente, sem fazer-nos
vencer de uma falsa vergonha omitindo algum, declarando a
espécie, o número e também as circunstâncias que acrescentassem
uma nova malícia.

375. Quem não recorda o número preciso dos pecados mortais,
que deve fazer?
Quem não recorda o número preciso dos pecados mortais deve
declarar o número que lhe parece mais próximo da verdade.

376. Por que não devemos fazer-nos vencer pela vergonha
omitindo qualquer pecado mortal?
Não devemos fazer-nos vencer pela vergonha omitindo qualquer
pecado mortal porque confessamo-nos a Jesus Cristo na pessoa do
confessor, e este não pode revelar nenhum pecado, mesmo a custo
de sua vida, e porque, de outro modo, não obtendo o perdão,
seremos envergonhados diante de todos no juízo universal.

377. Quem por vergonha ou por outro motivo omitisse um
pecado mortal, faria uma boa Confissão?
Quem por vergonha ou por outro motivo injusto omitisse um
pecado mortal, não faria uma boa Confissão, mas cometeria um
sacrilégio.

378. O que deve fazer quem sabe não ter se confessado bem?
Quem sabe não ter se confessado bem deve refazer as Confissões
mal feitas e acusar-se dos sacrilégios cometidos.

379. Quem sem culpa descuidou um pecado mortal fez uma boa
Confissão?
Quem sem culpa descuidou ou esqueceu um pecado mortal fez
uma boa Confissão, mas lhe permanece a obrigação de avisá-los
em seguida.

380. O que é a Absolvição?
A absolvição é a sentença com a qual o sacerdote, em Nome de
Jesus Cristo, remite os pecados ao penitente dizendo: "Eu, pois, te
absolvo dos teus pecados, em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo. Amém."

381. Remitidos com a absolvição os pecados, é também
remitida toda pena merecida?
Remitidos com a absolvição os pecados, é remitida a pena eterna
merecida com o pecado mortal, mas se não se tenha uma
contrição perfeitíssima, resta ordinariamente expiar, nesta vida
ou na outra, uma pena temporal.

382. O que é a satisfação ou penitência sacramental?
A satisfação ou penitência sacramental é a boa obra imposta pelo
confessor como castigo e como correção do pecador, e como
expiação da pena temporal merecida pecando.

383. Quando convém fazer a penitência sacramental?
Convém fazer a penitência sacramental o quanto antes, se o
confessor não determinou o tempo.

384. A penitência sacramental basta para livrar-nos de toda a
pena temporal merecida com o pecado?
A penitência sacramental não basta, de ordinário, para livrar-nos
de toda a pena temporal merecida com o pecado, por isso convém
suprir com outras obras de penitência e de piedade e com
indulgências.

385. Quais são as obras de penitência e de piedade?
As obras de penitência e de piedade são: os jejuns, as
mortificações, os atos de misericórdia espiritual e corporal, as
orações, e o uso devoto das coisas bentas e das cerimônias que se
chamam sacramentais, como a água benta e as várias bênçãos.

385 a. As Sete Obras de Misericórdia Corporal:
1. Dar de comer aos que têm fome;
2. Dar de beber aos que têm sede;
3. Vestir os desnudos;
4. Dar abrigo aos peregrinos;
5. Visitar os enfermos;
6. Visitar os encarcerados;
7. Enterrar os mortos.

385 b. As Sete Obras de Misericórdia Espiritual:
1. Aconselhar os perplexos;
2. Ensinar os ignorantes;
3. Admoestar os pecadores;
4. Consolar os aflitos;
5. Perdoar as ofensas;
6. Suportar pacientemente as fraquezas do próximo;
7. Rogar a Deus pelos vivos e os mortos.

386. O que é a Indulgência?
A Indulgência é uma remissão da pena temporal devida pelos
pecados, que a Igreja concede sob certas condições a quem está em
Graça, aplicando-lhe os méritos e satisfações superabundantes de
Jesus Cristo, de Nossa Senhora e dos Santos, os quais constituem o
tesouro da Igreja.

387. De quantas espécies é a Indulgência?
A indulgência é de duas espécies: plenária e parcial.

388. Qual é a Indulgência plenária?
A Indulgência plenária é a que remite toda a pena temporal devida
pelos pecados.

389. Qual é a Indulgência parcial?
A Indulgência parcial é a que remite uma parte da pena temporal
devida pelos pecados.

390. O que se entende por Indulgência de "quarenta" ou "cem
dias", de "sete anos" e semelhantes?
Por Indulgência de quarenta ou cem dias, de sete anos ou
semelhantes, se entende a remissão de tanta pena temporal
quanto seria expiada com quarenta, cem dias ou setes anos da
penitência antigamente estabelecida pela Igreja.

391. O que se requer para adquirir as Indulgências?
Para adquirir as Indulgências requer-se estar em estado de Graça
e executar bem as obras prescritas.

Cap. 6 - Extrema Unção

392. O que é a Extrema-Unção?
A Extrema-Unção, chamada também de Óleo santo, é o
Sacramento instituído para consolação espiritual e mesmo
corporal dos cristãos gravemente enfermos.

393. Quem é o ministro da Extrema-Unção?
O ministro da Extrema-Unção é o sacerdote pároco, ou outro
sacerdote que tenha sua permissão.

394. Como o sacerdote administra a Extrema-Unção?
O sacerdote administra a Extrema-Unção ungindo em forma de
cruz, com o óleo benzido pelo o Bispo, os órgãos dos sentidos dos
enfermos dizendo: "Por esta santa Unção e por sua piíssima
misericórdia, o Senhor te perdoe tudo o que de mal fizeste com os
olhos, com os ouvidos, etc. Amém."

395. Que efeitos produz a Extrema-Unção?
A Extrema-Unção aumenta a Graça santificante, apaga os
pecados veniais, e inclusive os mortais que o enfermo, atrito, não
pudesse confessar, dá força para suportar pacientemente os males,
resistir às tentações e morrer santamente, e ajuda inclusive a
recuperar a saúde, se é bom para a alma.

396. Quando se pode dar o Óleo santo?
O Óleo santo se pode dar quando a doença é perigosa, e é bom
dá-lo imediatamente após a Confissão e o Viático, enquanto o
doente conserva a consciência.

Cap. 7 - Ordem

397. O que é a Ordem?
A Ordem é o Sacramento que dá o poder de realizar as ações
sagradas relativas à Eucaristia e à salvação das almas, e imprime
o caráter de ministro de Deus.

398. Quem é o ministro da Ordem?
O ministro da Ordem é o Bispo que dá o Espírito Santo e o poder
sagrado ao impor as mãos e entregar os objetos sagrados próprios
da Ordem, dizendo as palavras da forma prescrita.

399. Por que o Sacramento que faz os ministros de Deus se
chama Ordem?
O Sacramento que faz os ministros de Deus se chama Ordem
porque compreendem vários graus de ministros, uns subordinados
aos outros, dos quais resulta a sagrada Hierarquia.

400. Quais são os graus da sagrada Hierarquia?
Os graus da sagrada Hierarquia são: as Ordens menores, o
Subdiaconato e o Diaconato, que são preparatórias; o Presbiterado
ou o Sacerdócio que dá o poder de consagrar a Eucaristia e de
remitir os pecados; o Episcopado, plenitude do Sacerdócio, que dá
o poder de conferir as Ordens e de administrar e governar os fiéis.

401. É grande a dignidade do Sacerdócio?
A dignidade do Sacerdócio é grandíssima pelo seu poder sobre o
Corpo real de Jesus Cristo que torna presente na Eucaristia, e
sobre o seu Corpo Místico, a Igreja, que governa com a missão
sublime de conduzir os homens à santidade e à vida
bem-aventurada.

402. Qual fim deve ter quem entra nas Ordens?
Quem entra nas Ordens deve ter por fim somente a glória de Deus
e a salvação das almas.

403. Pode qualquer um entrar por vontade própria nas
Ordens?
Ninguém pode entrar por vontade própria nas Ordens, mas deve
ser chamado por Deus por meio do próprio Bispo, isto é, deve ter a
vocação, com as virtudes e com as predisposições para o sagrado
ministério por ela requeridas.

404. Quem entrasse no Sacerdócio sem vocação faria mal?
Quem entrasse no Sacerdócio sem vocação faria muito mal porque
dificilmente poderia observar seus altíssimos deveres, com
evidente perigo de escândalos públicos e de perdição eterna.

405. Quais deveres têm os fiéis com respeito aos chamados às
Ordens?
Os fiéis têm o dever de deixar aos filhos e dependentes plena
liberdade para seguir sua vocação, além de implorar a Deus bons
pastores e ministros, e de jejuar para tal fim nas quatro Têmporas,
finalmente de venerar os ordenados como pessoas sagradas a
Deus.

Cap. 8 - Matrimônio

406. O que é o Matrimônio?
O Matrimônio é o Sacramento que une indissoluvelmente o
homem e a mulher, como são unidos Jesus Cristo e a Igreja sua
esposa, e dá-lhes a Graça de santamente conviver e educar
cristamente os filhos.

407. Quem é o ministro do Matrimônio?
Os ministros do Matrimônio são os esposos que o contraem.

408. Como se contrai o Matrimônio?
O Matrimônio se contrai exprimindo o mútuo consenso diante do
pároco ou um sacerdote delegado dele e pelo menos duas
testemunhas.

409. O Matrimônio celebrado desta forma consegue na Itália
também os efeitos civis?
O Matrimônio celebrado desta forma consegue na Itália também
os efeitos civis porque o Estado italiano reconhece tais efeitos ao
Sacramento do Matrimônio.

410. O Matrimônio assim celebrado como consegue na Itália
também os efeitos civis?
O Matrimônio assim celebrado consegue na Itália também os
efeitos civis, mediante a sua regular transcrição nos registros do
Estado civil, feito a pedido do pároco.

411. Os esposos católicos podem também realizar o Matrimônio
civil?
Os esposos católicos não podem realizar o Matrimônio civil nem
antes nem após o Matrimônio religioso: porque se atrevessem a
fazê-lo, inclusive com a intenção de celebrar em seguida o
Matrimônio religioso, são considerados pela Igreja pecadores
públicos.

412. Os esposos, ao contrair o Matrimônio, devem estar na
Graça de Deus?
Os esposos, ao contrair o Matrimônio, devem estar na Graça de
Deus, de outro modo comentem um sacrilégio.

413. Que dever têm os esposos?
Os esposos têm o dever de conviver santamente, de ajudarem-se
com afeto constante nas necessidades espirituais e temporais, e de
educar bem os filhos, cuidando da alma não menos que do corpo, e
formando-os antes de tudo à Religião e à virtude com a palavra e
com o exemplo.

PARTE 3 - Seção 2

Capítulo único - Oração

414. O que é a oração?
A oração é uma pia elevação da alma a Deus para bem conhecê-lo,
agradecer-lhe e pedir-lhe o que necessitamos.

415. Existem quantas espécies de oração?
Existem duas espécies de oração: mental e vocal.

416. Qual é a oração mental?
A oração mental é a que se faz só com a mente e o coração: tais são
a meditação das verdades cristã e a contemplação.

417. Qual é a oração vocal?
A oração vocal, chamada mais comumente reza, é a que se faz com
as palavras acompanhadas pela a mente é o coração.

418. Como se deve rezar?
Deve-se rezar refletindo que estamos na presença da infinita
majestade de Deus e temos necessidade da sua misericórdia, por
isso devemos ser humildes, atentos e devotos.

419. É necessário rezar?
É necessário rezar, e rezar muitas vezes, porque Deus o ordena e,
ordinariamente, só se reza, Ele concede as Graças espirituais e
temporais.

420. Por que Deus concede as Graças que suplicamos?
Deus concede as Graças que suplicamos porque Ele, que é
fidelíssimo, prometeu de atender-nos se rezamos com confiança e
perseverança no Nome de Jesus Cristo.

421. Por que devemos rezar a Deus no Nome de Jesus Cristo?
Devemos rezar a Deus no Nome de Jesus Cristo porque só por Ele,
seu Filho e único Mediador entre Deus e os homens, têm valor as
nossas rezas e boas obras, por isso a Igreja costuma terminar as
orações com estas ou equivalentes palavras: pelo Vosso Filho Jesus
Cristo, Nosso Senhor.

422. Por que não somos sempre atendidos quando rezamos?
Não somos sempre atendidos quando rezamos ou porque rezamos
mal ou porque pedimos coisas inúteis ao nosso verdadeiro bem,
isto é, ao bem espiritual.

423. O que devemos pedir a Deus?
Devemos pedir a Deus a sua Glória e para nós a vida eterna e
também as Graças temporais, como nos ensinou Jesus Cristo no
Pai-Nosso.

424. O que é o "Pai-Nosso"?
O Pai-Nosso é a oração ensinada e recomendada por Jesus Cristo,
a qual por isso se diz Oração Dominical ou do Senhor, e é a mais
excelente de todas.

425. Por que o "Pai-Nosso" é a oração mais excelente?
O Pai-Nosso é a oração mais excelente porque é nascida da Mente
e do Coração de Jesus, e contém em sete breves súplicas o que
devemos pedir a Deus como seus filhos e como irmãos entre nós.

426. O que devemos pedir como bons filhos de Deus?
Como bons filhos de Deus devemos pedir que em todo o mundo se
conheço e se honre o seu Nome e se propague o seu Reino, a Igreja,
e que por todos seja feita a sua santíssima vontade: e isso se pede
nas três primeiras súplicas do Pai-Nosso.

427. Como irmãos entre nós o que devemos pedir?
Como irmãos entre nós devemos pedir a nutrição corporal e
espiritual, o perdão dos pecados, a defesa das tentações e a
liberação do mal: e isso se pede, por nós e por todos os homens, nas
últimas quatro súplicas do Pai-Nosso.

428. Por que Jesus Cristo nos faz invocar a Deus como
"Pai-Nosso"?
Jesus Cristo nos faz invocar a Deus como Pai-Nosso para nos
recordar que Deus é verdadeiramente Pai de todos, especialmente
de nós cristão que, no Batismo, fomos adotados por Ele como seus
filhos, e para inspirar-nos em relação a Ele grande amor e
confiança.

429. Se Deus escuta quem reza bem, por que invocamos
também Nossa Senhora, os Anjos e os Santos?
Invocamos também Nossa Senhora, os Anjos e os Santos porque,
sendo caros ao Senhor e piedosos para conosco, nos ajudem nas
nossas súplicas com a sua poderosa intercessão.

430. Os Anjos, os Santos e Nossa Senhora, por que são
poderosos intercessores juntos de Deus?
Os Anjos e os Santos são poderosos intercessores juntos de Deus
porque são seus servos fiéis, ou melhor, amigos prediletos; Nossa
Senhora é poderosíssima porque Mãe de Deus e cheia de Graça,
por isso A invocamos assim frequentemente, tanto mais que nos
foi deixada como Mãe por Jesus Cristo.

431. Com qual oração nós invocamos especialmente Nossa
Senhora?
Nós invocamos especialmente Nossa Senhora com a Ave-Maria ou
Saudação Angélica, chamada assim, porque começa com a
saudação que Lhe fez o Arcanjo Gabriel anunciando-lhe que fora
eleita Mãe de Deus.

432. O que suplicamos a Nossa Senhora com a "Ave-Maria"?
Com Ave-Maria suplicamos a Nossa Senhora a sua materna
intercessão por nós na vida e na morte.

433. O invocar Nossa Senhora e os Santos não demonstra
talvez desconfiança em Jesus Cristo, o único Mediador, como
se não bastassem os méritos dele para nos obter as Graças?
O invocar Nossa Senhora e os Santos não demonstra nenhuma
desconfiança em Jesus Cristo, o único Mediador, ao contrário,
uma Fé maior nos méritos dele, tanto grandes e eficazes, que por
eles, e só por eles, Nossa Senhora e os Santos têm de Deus a Graça,
os méritos e a poderosa intercessão